sábado, 5 de maio de 2012

O Mal de Liniers a favor de Liniers


Há muito se estuda na literatura médica uma doença que acomete aqueles que fazem bonito na primeira fase da Copa Libertadores da América e são eliminados precocemente nas oitavas de final. Recentemente, o DOUTOR Douglas Ceconello batizou a efermidade de MAL DE LINIERS, em homenagem ao Vélez Sarsfield e sua mania de entregar a rapadura na hora do vamovê – para utilizar apenas a linguagem técnica. Na noite trabalhadora da última terça-feira, quando perdeu o jogo de ida das oitavas por 1×0, o Nacional de Medellín apresentou os primeiros sintomas da doença contra, curiosamente, o próprio Vélez.
O Atlético Nacional foi time que mais encantou o continente na primeira fase. Seu toque de bola rasteiro e vertical se aproveitou da velocidade e poder de conclusão de Dorlan Pabón, o camisa 8, artilheiro e revelação da competição, e distribuiu goleadas pelas veias abertas da América do Sul. É verdade que a defesa do CARROSSEL CAFETERO também tinha veias, artérias e laterais abertas. O Nacional distribuiu goleadas, como o histórico 4×0 contra o Peñarol dentro do Centenário, mas também sofreu gols em demasia, conjugando a insólita situação de possuir o melhor ataque e a pior defesa (empatado com o Emelec) entre os classificados para a segunda fase da Copa. O Vélez, por sua vez, passou pela fase de grupos oscilando boas vitórias e derrotas de três gols para Deportivo Quito e Defensor. Não seria em 2012 que o Vélez seria acusado de amarelar nas oitavas: não havia expectativa que justificasse a frustração.
Por tudo isso, na noite de terça, no Atanasio Girardot, esperava-se um Fortín cauteloso, disposto a levar a decisão para o José Amalfitani. No entanto, foi o Vélez que ditou as regras do carteado e saiu distribuindo o baralho como veranista em dia nublado. Pabón chegou a perder um gol na frente do goleiro nos primeiros minutos, mas, aos 8, o Vélez tirou o ás da manga. Martínez levou metade da Colômbia na conversa em jogada pela esquerda e encontrou Bella livre na entrada da área, que cortou para o meio e chutou no cantinho do goleiro Gastón Pezzuti. Gol fora de casa, nos primeiros minutos de jogo e contra o time-sensação do campeonato costuma significar somente uma coisa: um retrancão dos diabos.
No entanto, o Vélez foi MAGNÂNIMO no jogo. Martínez segurava a bola como queria no ataque e a defesa jogava compactada para evitar a penetração furtiva do esquadrão de Medellín. O Nacional talvez sofresse com os acontecimentos dos últimos dias. Para quem não acompanhoua nossa atualização dos certames nacionais, vale repetir a história. O comandante do Carrossel Cafetero, Santiago Escobar, foi demitido na segunda-feira, véspera de embate de oitavas-de-final da Libertadores. No mínimo, imprudente da direção verdolaga. Uma semana antes, Pabón e Macnelly Torres, os craques do time, teriam chegado ao treino BORRACHOS. Acabaram trocando sopapos com Mosquera, acusado de não passar a bola. Mosquera foi treinar em separado, o que teria irritado o grupo, que esperava alguma punição para os craques embriagados.
Que enredo. De qualquer forma, Escobar foi para a rua e a equipe foi conduzida pelo interino contra o Vélez. Jamais saberemos até que ponto as confusões fora de campo foram decisivas para a atuação do Nacional. Pabón e Macnelly Torres passaram o jogo trocando passes insinuantes, mas, diante da segurança defensiva de Sebá Domínguez e companhia, não conseguiram muitas chances de golo. O Fortín, entretanto, passaram o jogo infernizando as redondezas da defesa do Nacional, principalmente com Martínez e Lucas Pratto. Aos 34 minutos, o interino verdolaga, Norberto Peluffo, fez uma troca tática para dar mais ofensividade ao time, colocando Quintero no lugar de Pérez. Pouco adiantou: antes do final do primeiro tempo, o Nacional levou perigo apenas com um chute de Pabón. Lucas Pratto ainda perderia chance claríssima na frente do goleiro antes do apito final.
Na volta do intervalo, Martínez, de atuação SOBERBA, foi derrubado na área e o juiz marcou pênalti. O próprio atacante foi para a cobrança, mas permitiu a defesa de Pezzuti. O lance dava a impressão de que o Nacional ganharia moral para pressionar. Pabón recebeu lançamento precioso e ficou frente a frente com Barovero, mas o goleiro tirou com o pé. Apesar da tentativa de impor uma correria, o tempo seguia nublado para os colombianos e os de Liniers continuaram o carteado como se não houvesse nada melhor para fazer. Não se pode acusar Pabón e Macnelly Torres de sumir do jogo. Ambos trocaram uma infinidade de passes e o garoto de ouro de Medellín chutou umas DUZENTAS bolas em gol.
No fim de jogo, Lucas Pratto e Martínez perderam um punhado de contra-ataques para o cansaço. Os atacantes ajudaram na marcação durante e puxaram todos os avanços. Não fosse um ogro pesado correndo feito um moleque, Pratto poderia ter tido mais sorte para ampliar o placar e sair da Colômbia com classificação definida.
Terça que vem, às 20h, o Vélez recebe o Nacional no José Amalfitani para o jogo de volta. Daí veremos se os colombianos encontraram um antídoto para o Mal de Liniers.
Postado originalmente no Impedimento (http://impedimento.org/2012/05/02/o-mal-de-liniers-a-favor-de-liniers/) pelo Alexandre de Santi.

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