domingo, 30 de junho de 2013

Vélez Sarsfield é o campeão da temporada 2012-13 na Argentina

Fabián Cubero levantou a taça conquistada pelo Vélez Sarsfield (Foto: Reprodução/Diario Olé)

O Vélez Sarsfield conquistou na tarde/noite deste sábado (29) o título de super-campeão argentino da temporada 2012/2013. O campeão do Torneo Inicial encarou o Newell's Old Boys, que conquistou o Torneo Final na semana passada, e venceu por 1 a 0. O jogo único foi realizado no estádio Malvinas Argentinas, em Mendoza.
O fato de a partida se realizar em Mendoza foi o primeiro empecilho. Distante algumas horas de Buenos Aires e Rosario, as delegações tiveram que enfrentar viagens aéreas para chegar ao local do jogo. Os hinchas não tiveram a mesma comodidade, e tiveram que encarar mais de 10 horas na estrada para acompanhar a decisão. Isto explica o pouco público nas tribunas na cancha do Godoy Cruz.

O jogo foi bastante movimentado. O Vélez começou atacando bem, aproveitando espaços deixados por Cáceres na banda direita da defesa leprosa. Em uma dessas chegadas, logo aos 8 minutos, Lucas Pratto aproveitou passe de Papa, fintou Vergini e fuzilou Guzmán, abrindo o placar e marcando o gol do título fortinero. Até os 20 minutos de jogo, o Newell's parecia perdido, mas se encontrou em campo e passou a pressionar em busca do empate.
Figueroa sofreu pênalti, que resultou na expulsão do capitão Cubero, aos 28 minutos.Nacho Scocco, artilheiro dos dois torneios curtos cobrou, e o uruguaio Sebastián Sosa defendeu. Ricardo Gareca sacou Bella e colocou Peruzzi para reforçar a defesa, logrando grande êxito. A partir daí, o time rosarino tinha maior volume de jogo, mas não chegava ao gol adversário com perigo.

A etapa final começou da mesma maneira que a inicial, com um ótimo ataque do Vélez pela esquerda, onde Papa cruzou para Pratto mandar rente ao poste direito de Guzmán. Só que a reação do Newell's foi muito mais rápida, e tivemos um 2º tempo de pressão intensa do Rojinegro. Em determinado momento, Tata Martino tinha 5 atacantes no seu time. Maxi Rodríguez e Urruti perderam grandes oportunidades dentro da grande área, mas a equipe de Rosario não tinha criatividade para criar chances mais cristalinas.
Além disto, a grandiosa atuação defensiva do Vélez, sobretudo nas figuras de Peruzzi, Gago e Sebá Domínguez, foi determinante para o Fortín levar a taça para Liniers. Com o título, o Vélez Sarsfield garantiu vaga na próxima Copa Sul-Americana, na Libertadores da América do ano que vem, e na Supercopa Argentina, que será disputada no final do ano.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

K.O.rrea - o maior nocaute da história do Independiente

Tula, com 35 anos, consolado por Montenegro, de 34
(Site oficial do Club Atlético Independiente)
É, o Independiente sofreu o K.O. (knock-out ou nocaute) mais dolorido de sua história. O chute do garoto Correa foi sentido por todos torcedores e simpatizantes do Rojo no mundo. Mais sentido, talvez, que aquele de Anderson Silva em Vitor Belfort. Porém Correa não se utilizou da força. Colocou no ângulo de Ruso Rodríguez e acabou com a crença até dos hinchas mais otimistas do Rey de Copas, já que o Argentinos Juniors derrotava o Colón em La Paternal e o San Martín enfiava o 2º no apático Estudiantes. Todavia, o nocaute do clube não surgiu em segundos como em muitas lutas de MMA. É herança de péssimas gestões e erros, que contaremos a partir de agora.

Tudo começou com a conquista da Sul-Americana. Focado na competição, como todo o clube, Antonio Mohamed fez campanha ridícula no Apertura 2010 conquistando 14 pontos. Com Turco Mohamed e clube focados, 29 pontos no Clausura 2011. Na 4ª rodada do Apertura 2011, o Rojo perdeu para o Boca Juniors em casa e o treinador foi ameaçado por uma barra brava do clube. Na segunda-feira seguinte, deixou o cargo, como havia prometido em seu anúncio, e declarou algo como "se me ameaçarem, renuncio. Assumi o Independiente quando iria viajar à Disney, de férias, com minha família".

Em 18 de Dezembro de 2011, Javier Cantero foi eleito presidente do Independiente com 11.685 votos (quase 60% do total) de sócios do Rojo. Cantero, economista, recebeu o clube com uma dívida de mais de 200 milhões de pesos e a pressão de uma década sem título nacional. Na proposta mais comentada, ele iria acabar com as regalias que o clube mantinha com as barras. Conseguiu em partes. Aos poucos, foi cortando relações com a torcida. Em um ato marcante, entregou todas faixas que a torcida guardava na sede do clube para a polícia. Esse foi o estopim da guerra. Houve um jogo em que a torcida fez greve e não compareceu atrás do gol. Mais tarde, uma ligação anônima falou que havia uma bomba na sede do Rojo. Cantero permaneceu no poder e ganhou o apoio dos sócios do clube, de torcedores e receosos presidentes de outros clubes (como pode ver aqui), além do pseudo apoio de Julio Grondona, que não ofereceu benefício nenhum ao heroico presidente.

Os acertos foram grandes na gestão de Cantero, mas ele deixou a desejar no ramo do futebol. Com a saída de Mohamed, Ramón Díaz se utilizou do Apertura 2011 para conhecer a equipe. No fim do campeonato, até empilhou 7 jogos sem derrotas. Todo o projeto acabou com quatro derrotas nos quatro primeiros jogos do Clausura 2012. Christian Díaz, técnico dos Reservas - algo como o time B no Brasil - assumiu interinamente. No seu primeiro jogo, vitória histórica sobre o Boca na Bombonera por 5 a 4 em um jogo atípico de Tecla Farías com a camisa do Independiente. Depois de vitórias sobre Banfield, Atlético de Rafaela e Belgrano, além do 4 a 1 sobre o rival Racing, Christian Díaz foi efetivado. Enquanto esteve no comando do Independiente, apostou em vários garotos os quais conhecia da Reserva. Villafañez, Monserrat, Patrício Vidal e Pizzini foram os mais acionados. Porém, com os garotos chegou a irregularidade. E após 11 jogos sem vitórias, Christian Díaz foi injustamente demitido por Cantero, que não trouxe reforço nenhum ao DT inexperiente.
Trajetória do Independiente nas últimas 4 temporadas
(Gráfico: Trivela)

Com Américo Gallego, um DT experiente, no comando, Cantero teve de abrir os cofres do Rojo e ir buscar jogadores no mercado. E foi esta janela de transferências o estopim de tudo que o Independiente vive hoje. Tolo buscou Caicedo, promessa colombiana que pouco mostrou, e Rolfi Montenegro, jogador experiente e identificado que deu pouco resultado. Na outra janela já haviam chegado Tula, Morel Rodríguez, Fabián Vargas, Víctor Zapata, Paulo Rosales, Jonathan Santana e Luciano Leguizamón. Todos com, pelo menos, 29 anos. Vários lesões surgiram, os promissores jogadores da base perderam espaço, e nenhum destes veteranos convenceu. Gallego se foi, os jogadores ficaram e a paixão da torcida também. Miguel Ángel Brindisi assumiu faltando 9 rodadas em um calendário complicado, conquistando 3 vitórias, 3 empates e 3 derrotas. Agora, após a ressaca, o Rojo pensa na B Nacional. Brindisi deve seguir. Farías e Vargas, por exemplo, jogadores de renome, praticamente se negam a jogar este torneio. Ah, e que os Diablos Rojos não se acostumem com o inferno da B Nacional.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Os primeiros minutos após o título do Newell`s

O conjunto prevaleceu na conquista do Final 2013. (Site oficial do Newell`s Old Boys)
20 de Junho, "Dia da Bandeira" na Argentina. Feriado nacional. Às 14 horas da quarta-feira, 45 minutos de um Lanús 0 X 2 Estudiantes interrompido por conta do falecimento de Javier Jérez, líder da barra-brava do Lanús atingido por bala de borracha. Torcedores do Newell`s se reuniram em bares de Rosário, como este do vídeo a seguir, para "secar" o Granate. Para conquistar o título, os grenás deveriam reverter esta vantagem do Estudiantes, vencer o San Lorenzo fora na última rodada e torcer para a Lepra perder para o Argentinos Juniors em casa. Isso explica a comemoração fervorosa dos jogadores leprosos em Rafaela após o 3 a 0 com show de Maxi Rodríguez.

A questão é que, mesmo com o título encaminhado, torcedores do Newell`s fizeram a festa após o apito final. O Lanús não conseguiu reverter o placar, mesmo com a equipe embalada por um 5 a 1 sobre o River em casa na última rodada. A conquista ficou com o Newell`s, que acabou levantou um título importante 9 anos depois do Apertura 2004 do Ñuls de Américo Gallego. Horas depois do título, um Newell`s misto, e claramente desconcentrado, foi eliminado pelo tradicional Talleres na Copa Argentina. Agora, o foco é total na Copa Libertadores, competição que todo torcedor do Newell`s sonha em perder a virgindade.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

O Olimpo não cai, simplesmente toma impulso


O presidente chegou à reunião com ganas de se livrar do problema. Este era o terceiro defensor central da lista que havia recebido do treinador, e a histeria de seu representante parecia mais suportável que a de outros. Tinha-se fé. Mas tudo veio abaixo com uma frase do jogador, um medíocre mais que começava a fechar a porta na sua cara:
- Te agradeço a oferta, mas minha esposa está grávida e não quer ir porque em Bahía não há hospitais.
Bahía é Bahía Blanca. Uma cidade que ronda os 300 mil habitantes, com escola e hospitais igual a tantas outras, que termina de traçar a barriga desenhada pela Província de Buenos Aires. A fivela do cinto da Argentina, e uma primeira porta para a Patagônia. Por essa associação com o frio e despovoado sul argentino, os portenhos se surpreendem quando se inteiram que Bahía Blanca está distante uma hora de avião ou oito de ônibus. E antes de vestir a camiseta do Olimpo se perguntam, entre outras coisas, se há hospitais.
A cidade, distante no imaginário portenho ainda que geograficamente esteja mais perto que Córdoba, se fez um nome na cultura popular argentina desde que nos últimos anos um time de futebol se instalou entre os melhores do país. Por mais que os jogadores de Buenos Aires precisem ser trazidos pelas orelhas para que saibam que há vida longe do ruído da Capital, o caminho do Olimpo desde 2001 até a atualidade foi o seguinte: B-A-A-A-A-B-A-B-B-A-A-B-A. Quase como um código binário, no início do milênio o clube deambulou entre a Primeira Divisão e a B Nacional. Sua última conquista foi o regresso à máxima categoria. O quarto acesso em doze anos. O quarto acesso em cinco participações na B.
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olimpo2013cFundado em 1910, definiu as cores de sua camiseta oferecendo uma homenagem ao Peñarol de Montevidéu, o clube preferido de seu primeiro presidente. Assim ficou o negro e amarelo que rapidamente coloriu de futebol e se fortaleceu na cidade. Mas seus fundadores jamais pensaram o quanto se ampliariam esses limites geográficos em um país tão centralizado.
Na década de 80, em meio a uma série de 13 títulos consecutivos da liga bahiense, o Olimpo se fez forte em nível regional. Em 1984 teve sua primeira experiência em um Torneio Nacional, em 1986 se deu o luxo de perder de pouco para o Boca Juniors em uma Liguilla Pré-Libertadores e em 1989 teve uma passagem fugaz pelo Nacional B. Mas foi apenas em 1996, ao superar o Villa Mitre no clássico da cidade e recuperar o lugar na segunda categoria, que o Olimpo não parou de crescer. O que mudou entre uma década e outra? O motivo principal se chama Jorge Ledo. Personalista, líder forte, amigo de Grondona, contraditório, polêmico; salvou o Olimpo de um incêndio econômico sem precedentes. A partir dele, o Olimpo e o esporte de Bahía nunca voltaram a ser os mesmos.
Em 1994 assumiu a presidência de um Olimpo que apenas podia lutar na liga bahiense e encabeçou a formação de uma cooperativa que impedisse que o clube mais importante da cidade fechasse as portas. Sete anos depois, já na B Nacional, no afã de fazer uma boa campanha para reforçar o promedio e salvar-se do descenso, o Olimpo subiu à Primeira Divisão pela primeira vez na história. Foi antes do Atlético de Rafaela, San Martín de San Juan ou do Huracán de Tres Arroyos, para ficarmos em outras equipes de cidades pequenas que puderam conquistar um lugar no futebol grande.
Ano a ano, Ledo convenceu centenas de jogadores das bondades de uma cidade afastada do ruído da capital e pôs tempo e dinheiro para que o sonho persistisse. O problema é que Ledo recuperava seu dinheiro algum tempo depois, e ele era seu próprio órgão de controle. Ao mesmo tempo esses plantéis novos desnudavam as categorias de base paralisadas. E outras disciplinas esportivas do clube apagavam suas luzes porque não havia peso que não se destinasse a salvar o Olimpo do descenso.
Entre subidas e descidas, dentro do clube tudo se desmoronava. O Olimpo perdia seu encanto frente à cidade. Mais além dos torcedores de sempre, os que não faltam em nenhum clube do mundo, o poder do símbolo bahiense vinha abaixo. A decadência institucional marchou a par da saúde de Ledo e seus cigarros. Em abril de 2011, horas depois de o Olimpo vencer o Boca na Bombonera pela única vez na história, faleceu aos 68 anos.
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Em 16 anos de presidência, Ledo havia sido a única pessoa capaz de demonstrar que era possível convencer um jogador de que em Bahía se podia jogar futebol com tranquilidade. E que também havia obra social e escolas para os filhos. E que os salários que prometia, ao contrário do que acontece em vários clubes da capital, no Olimpo se pagam. Ao mesmo tempo, era o principal responsável pela situação de que somente ele fosse capaz de gerir o clube. Tantos anos sem eleições não haviam permitido preparar uma sucessão confiável desde o primeiro minuto. O que acontece depois do grande líder? A bolha havia arrebentado e o futuro era incerto, ainda que dois meses depois da morte de Ledo o Olimpo fosse ganhar do Quilmes na última rodada, assegurando assim não só um ano mais na Primeira, mas também condenando o River a jogar uma repescagem que finalmente perdeu e o condenou à B pela primeira vez em sua história.
Assumiu a condução do clube uma direção formada pelos homens mais próximos de Ledo. Dirigentes testemunhais, que viam como Ledo fazia e desfazia. A assembleia de sócios os elegeu por unanimidade, ainda que ninguém os conhecesse. E a primeira prova de fogo foi reprovada: a montagem do plantel para a temporada 2011-12. Com 29 pontos em 38 rodadas, o Olimpo caiu pela terceira vez em sete anos.
Mas, encabeçada por Alfredo Dagna, a comissão diretiva entendeu que gerir o clube não era simplesmente jogar a loteria do mercado de passes. Um dos primeiros projetos postergados foi incluir as equipes juvenis nos torneios da AFA para, a médio prazo, moldar jogadores próprios. Isto é, os garotos que jogam no Olimpo deixaram de competir entre os discretíssimos times bahienses e começaram a se confrentar, como os profissionais, contra os melhores do país. Além disso, em paralelo a esse descenso doloroso, a massa societária cresceu: a remodelação da piscina de natação mais importante da cidade, equipe de patinação vice-campeã do mundo na Nova Zelândia, convênio para ocupar um lugar na Liga Argentina de Voleibol, projeto integral para o basquete juvenil.
olimpo2013eFaltava uma virada brusca no futebol que fizesse esquecer o fantasma de Ledo. E quanto a nove rodadas do final da temporada passada a queda parecia inevitável, os dirigentes contrataram Walter Perazzo para começar a pensar no retorno. Por força da péssima campanha, ficaram apenas quatro jogadores e se contrataram 22 reforços (!). Nem Ledo havia chegado a assinar tantos contratos em um recesso entre temporadas.
Mas desta vez era distinto. Este novo grupo se criou em outro clima institucional que aos poucos, ajudado pelos resultados na cancha, contagiou a cidade. De repente, a equação virou: 22 jogadores novos não só comprovaram que em Bahía Blanca há hospitais, mas também se enamoraram da comodidade e tranquilidade do lugar. E acima de tudo jogaram bem. “Antes sair de Buenos Aires significava um problema, hoje sair de Buenos Aires começa a ser uma solução”, sintetizou o técnico Perazzo, que encaminhou o Olimpo ao acesso à Primeira, concretizado há duas semanas.
O objetivo se confirmou após um empate de um rival direto, enquanto o plantel voava a Buenos Aires para visitar o Almirante Brown. Naquele domingo os jogadores se inteiraram no avião e festejaram no aeroporto. Apenas na terça-feira puderam regressar a Bahía, e a cidade os recebeu com mais de 20 mil pessoas na rua, quase o dobro da capacidade do estádio, o Carminatti. Acostumados a subir e descer, a euforia do quarto acesso foi superior à primeira vez. Mesclaram-se a alegria do retorno à A com a satisfação de saber que sem Ledo também se podia. Em um ônibus aberto, o plantel percorreu Bahía e precisou pegar um atalho para chegar a tempo à sede do clube, onde ia se concentrar a massa que acompanhou o cortejo a pé durante três horas.
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Ali, a 700 quilômetros de Buenos Aires, no ponto mais austral do futebol argentino, onde a barra brava não sai nas páginas policiais, está sendo gestado um sonho. Sem violência e sem as histerias que costuma ver o futebol argentino. E reconciliado com uma comunidade bahiense que voltou a crer que o êxito é possível sem brigar com a ética.
Como disse o atual presidente: “Ter uma equipe na Primeira é um fato anedótico e fantástico”. Porque o mais importante é que o Olimpo, outra vez, é o time da cidade.
Postado originalmente no Impedimento (http://impedimento.org/o-olimpo-nao-cai-simplesmente-toma-impulso/) pelo jornalista argentino Tom Wichter.

domingo, 9 de junho de 2013

Qual é o placar?

Christian Gómez e o Torito estão em um relacionamento sério
(Foto: Clarín)
Após um ascenso histórico lembrado por qualquer torcedor do Nueva Chicago, no qual o arqueiro Monllor saiu como ídolo, com direito a caricatura em muro e tudo mais (aqui), a direção voltou a errar e o clube amargou o descenso para a B Metro. Mario Franceschini, profundo conhecedor da equipe, foi demitido precocemente na 12ª rodada, quando o clube tinha 10 pontos, mas já havia enfrentado os futuros ascendidos Rosário Central, Gimnasia La Plata e Olimpo, além dos bons Banfield e Huracán, por exemplo. Outro erro foi a não reposição de Leonardo Carboni, artilheiro da B Metro ano passado e vendido ao Danubio-URU. Francheschini fez requisições e recebeu o irregular Raúl Becerra, que só faria 8 gols em 27 jogos.

Sem um camisa 9 regular, 4 DTs diferentes em 38 rodadas, aposta em vários garotos na defesa e o velhinho Christián Gómez como figura principal. O resultado não poderia ser outro se não o rebaixamento. E ele foi humilhante. Em 37 jogos até então, 7 vitórias, 10 empates e 20 derrotas. 33 gols pró e 51 gols contra, com defesa melhor somente que a do Deportivo Merlo, que foi goleado pelo Torito, ainda de Franceschini, por 5 a 1 na 6ª rodada.

Sabendo da responsabilidade da direção no rebaixamento e isentando muitos jogadores, como os ídolos Christian Gómez e Leandro Testa, "El Beckenbauer de Mataderos", e os garotos Federico Lanzillota, Barreña, Tuma, Caballero, Franco Benítez, Martín Peyran e Diego Aguirre, utilizados prematuramente por conta da situação financeira do clube, a torcida resolveu apoiar. Perdendo para o Gimnasia La Plata na 23ª rodada por 3 a 0, fora de casa, os Verdinegros mostraram fidelidade ao clube e, ao que parece, previam o pior: o Nueva Chicago seria rebaixado na 34ª rodada e permaneceria na lanterna do campeonato até a última rodada. Na temporada 13/14 estarão, novamente em Mataderos, os fiéis torcedores apoiando o Torito na B Metro, a terceirona da Argentina, como no vídeo.

domingo, 19 de maio de 2013

Caicedo desencanta e decide para o Independiente, que vence o San Martín e respira

Caicedo, nome do jogo, comemora um dos seus 2 gols
(foto: Divulgação / Telám)
Tudo indicava que teríamos um drama, um jogo com grande sofrimento para a hinchada do Rojo. No final das contas a vitória veio com certa facilidade e o Independiente ganha um pouco de fôlego na sua luta incessante para fugir da zona do descenso. Mesmo com a vitória, o time de Avellaneda não sai da degola, mas afunda um pouco mais o San Martín, e dá a entender que será ele, o Rojo, quem lutará contra Argentinos Juniors e Quilmes por 2 vagas na elite para a próxima temporada. No Torneo Final, o Independiente soma 19 pontos em 14 jogos, 10 destes pontos conquistados nos últimos 4 jogos, apontando uma importante reação.

O início do jogo foi complicado para os donos da casa. Mesmo em um início de tarde fria em Avellaneda, a torcida compareceu em peso, afinal, era uma final de campeonato dentro dos pontos corridos, e a necessidade da vitória era gigantesca para ambas as equipes. E a multidão do Rojo viu um San Martín que não se intimidou, nem com o estádio lotado, tampouco com a camisa heptacampeã da América. O verdinegro de San Juán marcou em cima nos primeiros minutos, tentou manter a bola em seus pés e abafar o Independiente. Não obteve muito êxito ofensivo, mas manteve os mandantes longe de sua área. Affranchino, único jogador de quem poderia se esperar lampejos, aparecia muito pouco, e a dupla Osorio e Caprari ficou completamente desabastecida.

Depois dos 15 minutos da etapa inicial, o Independiente se achou no gramado. Montenegro e Vargas passaram a dominar a meia-cancha e engoliram o time do San Martín. Vallés, boa válvula de escape do Rojo durante o jogo, aos 19', foi ao fundo, centrou para Caicedo que dominou e mandou para o gol. Ardente defendeu, na primeira boa oportunidade de gol do jogo. A partir daí a torcida entrou no jogo e passou a empurrar o time, que mesmo sem jogar muito bem, passou a ter a bola e a atacar. Aos 25 minutos, após rebote de escanteio, Godoy arriscou de primeira, de longe, a bola desviou em Alderete e matou Ardente. Gol do Independiente e explosão do Libertadores de America. O San Martín sentiu o gol e se encolheu, chamando o Rojo para o seu campo.

Godoy festeja o gol que abriu o caminho da vitória
do Rojo (foto: Reprodução / Diario Olé)

Mesmo assim, o time da casa não conseguia criar boas chances, só chegando com perigo aos 38', com Daniel Montenegro, em cobrança de falta fortíssima, que passou muito perto da trave de Ardente. Mas 2 minutos depois começou a aparecer o colombiano Juan Caicedo. Vallés cobrou lateral, houve um desvio para dentro da área do Santo para Caicedo que se aproveitou de uma falha defensiva dos visitantes, que errou a linha de impedimento, e fuzilou para ampliar o placar. O San Martín se desesperou, afinal, a situação era desesperadora mesmo e passou a esbarrar em suas limitações. O problema do time de Forestello claramente passa pela extrema falta de qualidade, porque a entrega do Verdinegro era comovente.

A tônica do segundo tempo era a mesma. O Independiente se mostrando totalmente à vontade e atacando, em busca do 3º gol, sobretudo contando com as boas participações do trio Caicedo, Ferreyra e Montenegro. Adrián Fernández, nome importantíssimo nos últimos jogos, não apareceu, talvez sentindo o peso do jogo. Enfim, não precisou. O San Martín achou um gol em um lance isolado, com o ótimo colombiano Osorio Botello, que recebeu belo passe, driblou Rodríguez e escorou para o gol. A entrada de Riaño, que visou levar o time ao empate, deu errado. O camisa 18 ficou em impedimento em pelo menos 2 lances, além de tentar cavar um pênalti de forma bisonha, levando cartão amarelo.

Com 28 minutos, o tiro de misericórdia. Caicedo roubou a bola do companheiro, arrancou como um tanque, dividiu com a defesa rival e chutou em cima de Ardente, que aceitou. Gol de pura iniciativa e força de vontade do atacante colombiano, que finalmente desencantou, marcando seus primeiros 2 gols com a camisa do Independiente. Dali em diante o que se viu foi um San Martín entregue, tanto à derrota quanto a sua situação crítica na tabela, e um Independiente administrando com qualidade, para alegria do seu torcedor. Afinal, o Independiente não tem um time para estar nesta situação, ao menos no papel; parece que Miguel Ángel Brindisi finalmente deu uma cara de time ao bom elenco do Rojo.

Festa dos jogadores do Independiente. Vitória foi crucial
na luta contra o descenso (foto: Reprodução / Diario Olé)

Daqui em diante serão 5 decisões para o Rojo tentar fugir do inédito rebaixamento. Seu promedio é de 1,155, enquanto seus concorrentes diretos Argentinos Juniors e Quilmes tem 1,194 e 1,212, respectivamente. O Argentinos ainda joga nessa segunda-feira (20) contra o Belgrano, em La Paternal. O San Martín segue vivo, mas corre por fora, com o promedio de 1,112. Na próxima rodada, o Independiente enfrenta o Belgrano, em Cordoba, às 14h10 do próximo domingo (26), enquanto o San Martín recebe o Lanús também no domingo (26), às 16h. Quilmes e Argentinos Juniors visitam, respectivamente, Vélez Sarsfield e Estudiantes. Mais uma rodada que promete fortíssimas emoções.

sábado, 18 de maio de 2013

La vuelta a Boedo es ahora


O novo capítulo da SAGA do San Lorenzo para voltar a Boedo apresenta o seguinte panorama: o clube tem um pré-acordo com o CARREFOUR, mas precisa levantar 94 milhões de pesos (um pouco menos de 40 milhões de reais) para comprar o terreno histórico da Avenina La Plata, onde ficava o Viejo Gasómeto. Para mobilizar a torcida, o Ciclón lançou este VIDEOZAÇO que incentiva os hinchas a comprarem um METRO QUADRADO do terreno. Vale muito a pena tirar três minutos e assistir ao vídeo, que conta até com uma FLASH MOB do PAPA:

Sobre a volta do San Lorenzo a Boedo, leia também:
Postado originalmente no Impedimento (http://impedimento.org/la-vuelta-a-boedo-es-ahora/) e reblogado com a autorização dos mesmos.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

¡Copa Juniors carajo!




O idioma castelhano ajuda a dar dramaticidade a uma narração de gol. Ainda mais quando o narrador pertence à rádio oficial do clube.
No gol de Riquelme contra o Corinthians, o narrador do Boca se esgoela no grito de gol e faz um lindo POEMA de amor ao clube azul y oro, dizendo mais ou menos assim:
“Sos épico, Boca
Sos la epopeya, el milagro, la hazaña y la leyenda
Y ahí están tus descamisados
Estos negros leales y nobles como los perros
Amandote en carne viva
Dejando colgajos de piel
Sobre los alambres de púas
Jugando las pelotas en el territorio más hostil
Te quiero, Boca, te quiero! Mi corazón grita tu nombre!”
Ao final do jogo, arremata a épica narração com:
“Boca viejo nomás, mira que sos copero. ¿Que te parió, Boca?
Mi pátria, mi bandera, mi religión.
COPA JUNIORS CARAJO!”
Postado originalmente no Impedimento (http://impedimento.org/%C2%A1copa-juniors-carajo/) e reblogado com a autorização dos mesmos.3

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Newell's reverte vantagem do Vélez em Liniers e está nas quartas da Libertadores

Figueroa (16) e Maxi Rodríguez (E) comemoram o gol de Scocco,
que definiu o confronto (foto: Reprodução/Diario Olé)
O que pode surpreender mais que um gol cedo na casa do seu rival? Um gol cedo pode mudar a história de um jogo, um mata-mata e um campeonato. De fato, o gol de Milton Casco, logo a 3 minutos de jogo, mudou o destino de Newell's Old Boys e Vélez Sarsfield na Libertadores da América. Os leprosos conseguiram este e outro gol, venceram o Fortín, em Liniers, e estão nas semi-finais da Copa, onde enfrentarão o vencedor do confronto entre Corinthians e Boca Juniors.

A tendência era de termos um jogo morno, de um Vélez especulativo contra um Newell's que tentaria fazer de tudo para desfazer a vantagem dos donos da casa, que jogavam pelo empate. Na terceira volta do relógio, Casco interceptou um passe ainda no campo de defesa, soltou para Víctor Figueroa que deu uma verdadeira assistência para Casco, que invadiu a área e bateu de pé direito, na saída de Sosa. As coisas estavam absolutamente iguais e a decisão estava indo para os pênaltis.

Do gol em diante, o que se viu no José Amalfitani foi uma blitzkrieg do Vélez para cima do Newell's. Os comandados de Ricardo Gareca tomaram de assalto o campo adversário e cercaram a sua área. Por sua vez, o time de Tata Martino se fechou bem e apostou alto na alta velocidade do seu trio de ataque nos contra-ataques, reforçado pelas ótimas chegadas de Casco pela esquerda e se valendo de falhas incomuns da defesa fortinera.

Além disto, as péssimas partidas de Gago e Copete tiravam, respectivamente, organização e velocidade do time mandante. Com o passar do tempo, a pressão do Vélez diminuiu, o time cansou e o Newell's deu o bote. Literalmente, o bote fatal. Aos 40 minutos Sabia cochilou de forma bisonha e Nacho Scocco, artilheiro do time na Libertadores com 5 gols, foi mais esperto, roubou a bola e precisou de 2 tiros, o primeiro defendido por Sosa, para ampliar o placar e começar a pintar a vaga nas quartas-de-final de vermelho e preto.

O Newell's, com a vantagem, se soltou e passou a atacar o Vélez, buscando acabar de vez com o confronto. Na volta do intervalo, Sosa precisou fazer grande intervenção em finalização de Figueroa, e no rebote Cruzado mandou rente à trave. Na sequência, Sebá Domínguez respondeu em cobrança de falta, bem colocada porém sem força, que Guzmán não teve problemas para pegar. Maxi Rodríguez, aos 15 minutos, perdeu gol incrível, cara a cara com Sosa. E foi a última grande chegada dos rosarinos no jogo.

Porque dali em diante só deu Vélez. O Fortín acordou para o jogo e para a vida, que começava a ter seus minutos contados nessa Libertadores, e se atirou para cima do Newell's. A entrada de Ferreyra, ainda no intervalo, deu maior mobilidade ao ataque e as chances começaram a aparecer. Mas também começou a aparecer Nahuel Guzmán, a figura da partida. Logo ele, que nunca foi reconhecido por ser um goleiro de grande segurança, pegou quase tudo. Ferreyra e Peruzzi tiveram chances de frente para o goleiro da Lepra e o arqueiro levou a melhor em ambas.

Faltando 7 minutos para o término da partida, o Vélez enfim chegou ao gol que reacendeu a chama da esperança em seu time e na sua torcida. Facundo "el Chucky" Ferreyra recebeu na área, girou e mandou de pé esquerdo para o gol. Faltava 1 gol para o time da casa que não teve dúvidas: se jogou ao ataque como se não houvesse amanhã. Não haveria mesmo. O Newell's se portou muito bem defensivamente e não permitiu que a pressão do Vélez passasse dos tradicionais chuveirinhos, que consagraram Heinze e Vergini.

E consagraram o Newell's, classificado para as quartas-de-final da Copa Libertadores da América. No gol qualificado, na copeirice e experiência do seu time, que soube trabalhar bem a adversidade e reverteu uma vantagem muito importante que o Vélez havia conquistado em Rosario. Agora o Newell's Old Boys espera por Corinthians ou Boca Juniors, que decidem ainda nessa noite de quarta (15) quem segue adiante na Libertadores.

FICHA TÉCNICA
Copa Libertadores da América, oitavas-de-final, jogo de volta. Estadio José Amalfitani (El Fortín de Liniers), Buenos Aires, Argentina 
Vélez Sarsfield: 13. Sosa; 4. Peruzzi, 30. Sabia, 6. Domínguez e 3. Papa; 21. Allione (29. Romero), 8. Gago, 18. Cerro e 10. Insúa (9. Rescaldani); 7. Copete (14. Ferreyra) e 12. Pratto. DT: Ricardo Gareca. 
Newell's Old Boys: 1. Guzmán; 4. Cáceres, 27. Vergini, 20. Heinze e 15. Casco; 5. Mateo, 8. Pérez (7. Bernardi) e 10. Cruzado (18. Orzán); 16. Figueroa (28. Tonso), 11. Maxi Rodríguez e 21. Scocco. DT: Gerardo Martino. 
Placar: Casco (N), aos 3 minutos do primeiro tempo; Scocco (N), aos 40 minutos do primeiro tempo. Ferreyra (V), aos 38 minutos do segundo tempo. 
Árbitro: Néstor Pitana. 
Cartões amarelos: Allione, Gago e Peruzzi (V), Mateo, Cruzado, Pérez e Maxi Rodríguez (N).


domingo, 5 de maio de 2013

Boca Juniors e River Plate empatam no Superclásico 343

A semana pré-clássico havia sido muito boa para o Boca Juniors com a vitória sobre o Corinthians na Libertadores e a retomada da confiança que havia ficado esquecida, graças às atuações insuficientes no Torneo Final e na segunda fase da Copa. O River Plate vivia a expectativa de seguir firme na corrida pela liderança, no encalço de Lanús e Newell’s Old Boys. Porém os times acabaram decepcionando, ficaram no 1 a 1 e se complicaram no 2º turno do Campeonato Argentino. Foi o 108º empate no maior clássico do futebol argentino, em 343 jogos.

River Plate começa o jogo em vantagem – mais que um gol relâmpago

Pibes Iturbe e Álvarez Balanta festejam o gol relâmpago
de Lanzini (C). (Foto: Reprodução/Diario Olé)

Sem Riquelme e Clemente Rodríguez, Carlos Bianchi mandou a campo um time misto, utilizando muitos garotos da base. No entanto, mesmo com estes em campo, eles nada poderiam fazer, pois com menos de 1 minuto de jogo, Sánchez escapou pela direita e cruzou na cabeça de Manuel Lanzini, que desviou sem chances para Orión. 46 segundos de bola rolando e River Plate na frente, com o gol mais rápido nos mais de 100 anos de história do Superclásico.  A estratégia de Ramón Díaz mudava de propositiva para especulativa, apostando todas as fichas nos contra-ataques puxados sempre com muita velocidade por Lanzini e Iturbe.

O Boca Juniors deixou muitos espaços, se jogou à frente buscando o gol de empate, uma vez que sua situação no Torneo Final se complicava muito com a derrota. Sem contar que o time ainda não havia vencido em casa no campeonato, e precisava muito mudar esta situação. O River Plate poderia ter se aproveitado e dilatado o placar ainda nos 45 minutos iniciais. Não o fez. Iturbe incendiava o jogo, infernizando a defesa xeneize, e criava oportunidades que não eram aproveitadas. Faltava qualidade no penúltimo passe, o time insistia em não caprichar um pouquinho mais, parecendo levemente ansioso em matar o jogo de uma vez.

O Boca busca o empate – “quem não faz, leva”

Santiago Silva empatou o jogo e comemorou efusivamente,
como de costume (Foto: Reprodução/Diario Olé)

Funes Mori testou Orión de longe, Iturbe foi travado na “hora H”. Mas a chance mais incrível perdida pelo River Plate foi pelos pés do uruguaio Carlos Sánchez, que recebeu na frente de Orión e tentou um tapinha por cima do goleiro. Mandou por cima da goleira. Aqui no Brasil há um técnico que diz que “a bola pune”, e a bola puniu o Millonario. 4 minutos após o gol perdido por Sánchez, o Boca Juniors conseguiu um raro espaço no ataque e a bola sobrou para Santiago Silva, que chutou de primeira, no canto direito de Barovero. Tínhamos 39 minutos jogados na etapa inicial e um injusto empate no placar.

A etapa complementar prometia fortes emoções, mas ficou só na promessa. O Boca Juniors buscou o ataque nos minutos iniciais, mas claramente faltava qualidade para furar a bem postada defesa do River Plate. O jogo vinha morno, aí a torcida do Boca resolveu dar as caras. La 12 começou a fazer um espetáculo pirotécnico tão bonito quanto assustador, e forçou Diego Ceballos (que substituiu Delfino, que saiu lesionado) a parar o cotejo por 10 minutos, sobretudo porque a torcida xeneize estendeu esta faixa, que ultrapassava o tamanho limite para faixas em estádios argentinos.

A bola voltou a rolar e praticamente não tivemos mais momentos dignos de nota. O jogo foi paralisado novamente após um rojão ser estourado próximo a Barovero. Fora isto, muita luta, correria e bolas alçadas às duas áreas, mas nada de chances claras de gol. Ainda houve tempo para a expulsão de Burdisso, no penúltimo lance do jogo. E assim terminou o primeiro Superclásico em La Bombonera depois da volta do River Plate à elite do futebol argentino, com um empate em 1 a 1 que poderia ter sido mais, muito mais, mas que ficou de bom tamanho para ambos os times.

Na sequência da competição, pela 13ª rodada, o River Plate, que segue na 3ª colocação (22 pontos, 4 atrás do líder Lanús), receberá o All Boys, às 20h30 do próximo domingo (12). Hoje o Millonario estaria classificado para a Copa Sul-Americana, no 2º semestre. Já o Boca Juniors vai ao Nuevo Gasómetro no sábado (11) enfrentar o San Lorenzo, às 16h15, em mais um confronto entre grandes do futebol da Argentina. Os xeneizes ocupam a 18ª colocação no Torneo Final, com 10 pontos, mas a prioridade em La Boca é, claramente, a Copa Libertadores da América.

Outros resultados da 12ª rodada

Godoy Cruz 3-0 Colón, gols de Óbolo (35’ 1T), Castellani (42’ 1T) e Sánchez (36’ 2T)
Quilmes 1-2 San Lorenzo, gols de Elizari (16’ 1T) para o Quilmes, Buffarini (3’ 2T) e Gonzalo Verón (16’ 2T) para o San Lorenzo
Unión/SJ 1-1 Belgrano, gols de Cavallaro (19’ 1T) para o Unión e Aveldaño (17’ 2T) para o Belgrano
Argentinos Juniors 1-2 Lanús, gols de Matías Martínez (36’ 2T) para o Argentinos e Silvio Romero (7’ 1T e 28’ 2T)
Racing Club 0-0 Vélez Sarsfield
Tigre 0-2 Independiente, gols de Adrián Fernández (8’ e 39’ 1T)

Ainda neste domingo (5) jogam Atletico Rafaela e San Martín/SJ, e na segunda-feira (6) teremos o All Boys contra o Estudiantes e o Arsenal recebendo o Newell’s Old Boys.

FICHA TÉCNICA
Torneo Final, 12ª rodada. Estádio La Bombonera (Alberto J. Armando), Buenos Aires, Argentina
 
Boca Juniors: Orión; Marín, Caruzzo, Burdisso e Zárate; Ledesma (Escalante), Bravo, Erviti (Pol Fernández) e Sánchez Miño; Acosta (Paredes) e Santiago Silva. DT: Carlos Bianchi.
River Plate: Barovero; Mercado, González Pirez, Álvarez Balanta e Vangioni; Sánchez, Ledesma e Ponzio (Cirigliano); Lanzini; Iturbe (Mora) e Rogélio Funes Mori (Luna). DT: Ramón Díaz.
Placar: Lanzini (R), a 46 segundos do primeiro tempo; Silva (B), aos 39 minutos do primeiro tempo.
Árbitro: Germán Delfino, substituido por Diego Ceballos.
Cartões amarelos: Caruzzo, Bravo, Silva, Pol Fernández (B), Mercado, González Pirez, Vangioni, Sánchez (R).
Cartão vermelho: Burdisso (B).

Postado originalmente no VAVEL Brasil (http://www.vavel.com/br/futebol-internacional/futebol-argentina/235250-boca-juniors-e-river-plate-empatam-no-superclasico-343.html) por Jhon Willian Tedeschi, e reblogado com a autorização dos mesmos. 

sábado, 4 de maio de 2013

Pré-jogo: Boca Juniors X River Plate, “El Superclássico”

Foto: FoxSports – Boca Juniors X River Plate

Nesse domingo pela 12ª rodada do Torneo Final, teremos o superclássico Boca Juniors X River Plate, jogo que será realizado na La Bombonera. O fato dos dois clubes serem fundados em La Boca, bairro situado em Buenos Aires, é um dos maiores motivos da rivalidade. Os xeneizes ainda estão em La Boca, enquanto os Millonarios se imigraram para Nuñez em 1923, que ao contrário de La Boca, é um bairro com maior poder econômico. O que começou como um rivalidade entre vizinhos, hoje é um confronto social. O Boca Juniors, que se consolidava como um clube vencedor, tinha o total apoio da classe trabalhadora. O River, que também começava a crescer, contava cada vez mais com o apoios da classe mais elitizada.
Enquanto o River entra em campo para se manter na briga pelo título, o Boca Juniors tenta acabar com o jejum de 10 jogos sem vitória pelo campeonato. O Boca Juniors é o 18º colocado com 9 pontos em 11 jogos. Até aqui são 6 empates, 4 derrotas e, apenas, 1 vitória. Os xeneizes vem de uma vitória heroica sobre o Corinthians, pelas oitavas de final da Libertadores. Para o superclássico, o time não vai poder contar com Riquelme e Clemente Rodríguez, dois jogadores já acostumados com jogos com esse peso.
O Millonarios ocupam a terceira posição com 21 pontos, enquanto o líder Newell’s Old Boys tem 25 e o segundo colocado Lanús tem 23. Na boa campanha até aqui, a equipe de Ramón Díaz tem 6 vitórias, 3 empates e 2 derrotas. Pelo lado do River Plate, o estaque vai para a confirmação do Lanzini no time titular, ao lado de Funes Mori.
Alguns jogadores irão estrear no clássico, são os casos de Leandro Marín, Nahuel Zárate e Federico Bravo, todos vieram da cantera xeneize. Pelo lado do River Plate, Leonel Vangioni, Eder Alvarez Blante e Manuel Iturbe sentiram a emoção de disputar o primeiro derbi.
Com as duas equipes sem grandes nomes para o Supreclássico, o maior destaque vai para o banco das duas equipes, onde temos Carlos Bianchi e Romón Díaz, os técnicos maisvencedores da história de suas equipes.
Números dos técnicos: Bianchi já disputou 27 Superclássicos, venceu 13, empatou 7 e perdeu 7.
Ramón Díaz disputou 28 dérbis, ganhou 8, empatou 9 e perdeu 8.
No confronto entre os dois treinadores, El Virrey e El Pelado já se enfrentaram 15 vezes, com 6 vitórias para Bianchi, 5 empates e 4 vitórias de Ramón Díaz.
Carlos Bianchi: Libertadores 2000, 2001, 2003; Clausura 1999; Apertura: 1998, 2000, 2003; Intercontinental: 2000 e 2003
Ramón Díaz: Libertadores 1996; Apertura 1996, 1997, 1999; Clausura 1997, 2002; Supercopa 1997
Provável Boca Juniors: Orión; Leandro Marín, Matías Caruzzo, Guilermos Burdisso, Nahuel Zárate; Ledesma, Federico Bravo, Erviti, Sánchez Miño; Lautaro Acosta, Santiago Silva
Provável River Plate: Barovero; Mercado, González, Balanta, Vagioni; Ledesma, Ponzio; Lanzini; Iturbe, Funes Mori
Números do Confrontos:
Em 189 jogos realizados entre as duas equipes, os xeneizes venceram 69, o River ganhou 62 e empataram 58 vezes.
Do elenco do Boca Juniors, Riquelme é o jogador com mais Superclássicos disputados; Foram 18 jogos, 8 vitórias, 7 empates e 3 derrotas.
No River Plate, Ledesma e Funes Mori, com 4 jogos cada, são os que mais vezes tiveram a honra de disputar o clássico.
Martín Palermo é o maior artilheiro xeneize em jogos oficiais no Superclássico com 8 gols.El Titán ainda perde para o brasileiro Paulo Valentim, que anotou 10 gols em 7 jogos. O Brasileiro atuou pelo clube entre os anos 1960 e 1964.
Ángel Labruna, com 16 gols, é o maior artilheiro Millonario no Superclássico.
Postado originalmente no Doentes Por Futebol (http://www.doentesporfutebol.com.br/2013/05/04/pre-jogo-boca-juniors-x-river-plate-el-superclassico/) por Gustavo Ribeiro e reblogado com autorização dos mesmos.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Vélez Sarsfield vence o Newell's em Rosario e sai em vantagem nas oitavas da Libertadores

Vitória fora de casa dá ao time de Ricardo Gareca a vantagem do empate no jogo de volta. Atuação do goleiro uruguaio Sebastián Sosa e a trave foram determinantes para o triunfo fortinero (Foto: EFE / Diego Ceretti)

 


Começaram as oitavas-de-final da Copa Libertadores da América, e foi um início em grande estilo, com um grande jogo de futebol. No confronto entre os argentinos, um dos mais esperados desta fase, o Vélez Sarsfield arranca na frente e volta para o bairro de Liniers com uma enorme vantagem. O Newell's Old Boys, por sua vez, terá que correr atrás do prejuízo, necessitando de uma vitória por dois gols de diferença, ou por um gol, contando que marque no José Amalfitani.

Pela prévia que tivemos na sexta-feira, pelo Torneo Final, com a vitória da Lepra por 3 a 1, como visitante, havia a impressão que La Lepra iria partir para cima do Fortín. E ela se cumpriu. Empurrado pela torcida, desde o primeiro minuto do jogo o Newell's já se posicionava no campo adversário, fazendo pressão com suas duas linhas de 3 jogadores, impedindo o Vélez de utilizar sua conhecida saída qualificada de jogo.

A primeira chance de gol, naturalmente, foi dos donos da casa, em um foguete de Pablo Pérez no travessão, aos 7 minutos. Antes dos 15 minutos de jogo, Ignacio Scocco e Maxi Rodríguez tiveram suas chances; um parou em Sosa, o outro, na falta de pontaria. O time do Newell's não é primoroso tecnicamente, mas Gerardo Martino montou um time à sua maneira, que toca rápido a bola, explora os espaços entre laterais e zagueiros, sempre com muita intensidade. Não à toa Tata é um dos mais famosos discípulos de Marcelo Bielsa - ambos são deuses para a metade rubro-negra de Rosario.

Esta intensidade leprosa se manteve ao longo de todo o primeiro tempo e o Vélez ajudava, se posicionando muito defensivamente. Depois de meia-hora de jogo, os espaços se fecharam, não havendo outra alternativa para os donos da casa a não ser abusar das bolas alçadas a área rival, onde Sebá Domínguez e Juán Sabia foram soberanos. No finalzinho do primeiro tempo houve espaço para mais uma situação clara de gol do Newell's, com Nacho Scocco cobrando falta no travessão, que novamente salvava o Fortín.

As equipes voltaram do intervalo sem mudanças, nem na nominata, muito menos na atitude, e o Newell's seguiu apertando seu desafiante. Os 10 primeiros minutos foram quase insuportáveis para o Vélez. Emiliano Papa precisou tirar uma bola sobre a risca do gol e Fabián Cubero quase marcou contra. O problema foi que passou este momento de abafa, e os donos da casa arrefeceram, parecendo se desconcentrar do jogo.

Figueroa, que vinha bem, sumiu do jogo. Maxi Rodríguez e Cruzado estavam discretos. O time se esforçava, mas errou no campo de ataque, armando um contra-ataque que foi fatal. Saindo com toques rápidos e após um passe de pura classe de Insúa, Allione, jovem volante de 19 anos, limpou a marcação e mandou no ângulo de Peratta. Um golaço e um verdadeiro balde de água fria no time do Newell's e na sua torcida.

Tínhamos 17 minutos jogados na etapa complementar. Tata Martino esperou 5 minutos e sacou os apagados Figueroa e Rodríguez, ingressando em seus lugares Tonso e Urruti. Não adiantou. O problema aí já não era algo que o Newell's não tinha, mas sim algo que o Vélez tem, uma matreirice para fabricar e manter um resultado favorável, um pragmatismo que chega a impressionar.

Mesmo controlando o jogo, o Vélez sofreu um pouco para segurar o resultado. Vergini testou Sosa, mandando uma bomba de muito longe, algumas bolas alçadas à área assustaram Sosa, no entanto nenhuma chance clara de gol era criada. Aos 38 minutos, Cubero foi expulso ao receber seu segundo cartão amarelo. A torcida se reacendeu, Scocco ainda tentou mais uma vez de longe, mas o jogo terminou mesmo com a vitória do Vélez Sarsfield.

Teremos o jogo de volta daqui a duas semanas, no dia 14 de maio, uma terça-feira, no José Amalfitani, em Buenos Aires. O Vélez Sarsfield jogará por um empate, enquanto o Newell's necessitará vencer. 1 a 0 leva a decisão para os pênaltis; qualquer outra vitória por um gol de diferença, ou mais, dá a vaga às semi-finais ao time de Rosario, para enfrentar Corinthians ou Boca Juniors.


Copa Libertadores da América, oitavas-de-final, jogo de ida. Estadio Coloso del Parque (Marcelo Bielsa), Rosario, Argentina.


Newell's Old Boys: 22. Peratta; 4. Cáceres, 22. Vergini, 20. Heinze e 15. Casco; 23. Villalba, 8. Pérez e 10. Cruzado (7. Bernardi); 16. Figueroa (28. Tonso), 11. Maxi Rodríguez (9. Urruti) e 21. Scocco. DT: Gerardo Martino.
Vélez Sarsfield: 13. Sosa; 5. Cubero, 30. Sabia, 6. Domínguez e 3. Papa; 21. Allione (19. Sills), 18. Cerro, 17. Razzotti e 10. Insúa (26. Díaz); 7. Copete e 12. Pratto (9. Rescaldani). DT: Ricardo Gareca.
Gol: Allione, aos 17 minutos do segundo tempo.
Árbitro: Diego Abal (ARG).
Cartões amarelos: Cubero (37' PT), Pratto (42' PT), Heinze (37' ST).
Cartões vermelhos: Cubero (38' ST).
Postado originalmente no VAVEL Brasil (http://www.vavel.com/br/futebol-internacional/232754-velez-sarsfield-vence-o-newell-s-em-rosario-e-sai-em-vantagem-nas-oitavas-da-libertadores.html) por Jhon Willian Tedeschi, e reblogado com a autorização dos mesmos.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Academia de garotos

Após temporadas péssimas, o Racing vê em garotos da base sua única forma de sucesso. Na temporada passada, a dupla que encantou os argentinos foi Valentín Viola e Ricardo Centurión. Nessa temporada, Fariña, De Paul e Vietto ganharam destaques. Bruno Zuculini, aos poucos, vai se firmando após um início irregular. A prova disso foi o San Lorenzo 1 X 4 Racing, com 4 gols de pibes do azul de Avellaneda. As fichas das jóias do Racing a seguir:

Valentín Viola, já no Sporting
(Record.pt)
Valentín Viola: Atacante de movimentação e poderio de finalização, Viola surgiu no momento em que Haúche passava por uma má fase, no final do Clausura 2011 e início do Apertura 2011. No início, se destacou mais pela sua movimentação. Desencantou de vez no Clausura 2012, sendo vendido ao Sporting por 5 milhões de dólares. Com a sua perda, o Racing foi em busca de Sand. Hoje, tem 21 anos e já atuou pelas seleções de base da Argentina.



Ricky Centurión (Goal.com)

Ricardo Centurión: Com principais atuações atuando na winger esquerda, como no clássico de Avellaneda do Inicial 2012, quando participou dos dois gols do Sand, tem como principais características a velocidade e o drible. Em 24 de Janeiro de 2013, Gastón Cogorno confirmou a venda de Centurión ao Anzhi, da Rússia. Porém alguns problemas, entre eles a burocracia e a posterior lesão no ligamento do joelho, que requer 6 meses de tratamento, esfriaram a negociação. Hoje, tem 20 anos e já atuou pelas seleções de base da Argentina.

Luisito Fariña (Télam)
Luis Fariña: Enganche, ganhou espaço no Racing após a saída de Gio Moreno e Simeone. Zubeldía chegou, e apostou no garoto para comandar a meia cancha da Academia. O seu problema é a irregularidade. Em certos jogos, entra sonolento em campo e se esconde atrás dos marcadores. Tem bom passe e boa visão de jogo. Como seus pais são paraguaios, já recebeu propostas para se nacionalizar e jogar com a albirroja, porém recusou. Recebeu grande proposta do Benfica na última janela, mas Cogorno assegurou sua permanência. Hoje, tem 21 anos e já atuou pelas seleções de base da Argentina.

Lucky Vietto (Taringa.net)
Luciano Vietto: Atacante de boa movimentação, ganhou espaço após a saída de Valentín Viola, desbancando os experientes Haúche e Sand. Dispensado da base do Estudiantes em 2010, havia desistido da carreira futebolística. Até um proposta do Racing chegar. Em um ano de base, se destacou e já foi promovido aos profissionais. Lucky permaneceu como titular e finalizou o Inicial 2012 como goleador da equipe. Com Simeone ganhou algumas chances, mas foi com Zubeldía que se consolidou. Na sua estreia no "11 inicial", 3 gols ante o San Martín na vitória de 3 a 1. No campeonato argentino, sofre um pouco por conta de seu porte físico, mas o Racing deve providenciar o ganho de massa muscular para o garoto. Hoje, tem 19 anos e é figurinha carimbada nas convocações do Sub-20 da Argentina.


De Paul (Espn Deportes)
Rodrigo De Paul: Jóia mais recente, De Paul é um enganche que gosta de cair pelos flancos. Tem bom
passe, drible, velocidade e chute. Zubeldía, já pensando em utilizá-lo no Final 2013, promoveu sua estreia diante o River em um Torneio de Verão. É opção de segundo tempo no Final 2013. Mesmo assim, já anotou 2 golaços. Um contra o San Martín, na vitória de 3-0, e outro sobre o San Lorenzo. Também tem uma assistência, diante o mesmo San Martín. Tem somente 18 anos e ainda não foi convocado para nenhuma seleção de base da Argentina. Deve ser chamado para o Sub-20 na próxima convocação.




Bruno Zuculini e Michael Hoyos pela Albiceleste
Sub-20 (El Dia de Escobar)
Bruno Zuculini: Volante de boa marcação e passe regular, vem se firmando nesse Final 2013 após 3 anos jogando entre os profissionais e convivendo com a irregularidade. Chegou a formar a dupla de volantes com seu irmão, Franco Zuculini, em 2011. Franco, dois anos mais velho, se destacou e foi vendido ao Real Zaragoza. Nesse campeonato, já marcou 3 gols - um contra o San Martín e dois contra o San Lorenzo -, se destacando em algo que não é a dele. Mais importante que os gols, está dando uma sustentação importante para a defesa, fazendo dupla com Pelletieri. Atuou pela Seleção Argentina Sub-20 no Sul-Americano de 2011.

Aí está a prova de que o investimento nas categorias de base rende bons frutos a longo prazo. Sem muito poder aquisitivo, a Acade vê em seus garotos, identificados com o clube, sua principal fonte de renda em futuras transações. Mas tudo é uma questão de tempo, e Simeone e Zubeldía souberam utilizar os garotos no momento certo, sem queimá-los. Diferentemente do rival Independiente, que vê uma boa geração de meninos ser refém do medo do descenso e uma pressão gigante da torcida, nunca antes rebaixada para a B Nacional.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Grandeza perdida em Caballito



De pendejo voy con vos, porque vos sos mi pasión
nosotros te alentamos del tablón
ustedes pongan huevo y corazón
La alegría de este barrio, nunca la voy a olvidar
cruzamos la Cordillera y copamos el Maracanã”
Maracanã, 1985. Não há registros audiovisuais que deem conta de comprovar a canção até hoje entoada, mas dizem os antigos que o Ferro Carril Oeste teria levado ao ex-Maior do Mundo mais torcida que o Fluminense pela Libertadores da América* – os dois se enfrentaram na condição de campeões de seus países um ano antes. Daí o “copamos el Maracanã”, bordão comum entre as hinchadas argentinas para proclamar a invasão de um estádio rival.
Buenos Aires, bairro Caballito, 2013. Em um sábado ensolarado, 3 mil pessoas se dirigem à tradicional cancha do Ferro. O jogo, válido pela B Nacional (segunda divisão do país), é contra o Defensa y Justicia, da cidade de Florencio Varela, província de Buenos Aires. O visitante faz 2 a 0 com enorme facilidade. Calejada, a hinchada do Ferro pede a escalação dos garotos que passam toda a partida chutando uma bola em uma reentrância da velha arquibancada de madeira: “Pongan los pibes, la puta que te parió”.
No espaço de 28 anos entre a disputa de sua segunda (e última) Libertadores e as agruras de uma interminável rotina longe da elite, o Ferro experimentou dois descensos, uma falência e um sem número de fracassos dentro e fora de campo. De potência esportiva nos anos 1980, tornou-se mero figurante das divisões inferiores. A torcida, antes grandiosa, resume-se agora aos moradores do bairro e frequentadores da sede social, exatamente no centro geográfico de Buenos Aires. Quanto aos associados, 50 mil há três décadas, hoje não passam de 10 mil.
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Tamanha decadência se deve, como de praxe, a seguidas administrações ruins. Tudo começa com o homem que fez o Ferro ser temido nos anos 1980: Santiago Leyden (1933-2002) foi presidente do clube por longos 30 anos (1963-1993), período em que o Verdolaga ganhou dois Campeonatos Argentinos (1982 e 1984) e três vices, além de conquistas no basquete (três Ligas Nacionais e três Sul-americanos) e no vôlei (12 torneios nacionais e três continentais).
Leyden ainda ergueu a tribuna de cimento do antigo estádio de madeira – que ganhou o nome de Arquitecto Ricardo Etcheverry, seu vice e responsável pelo projeto do novo setor –, um ginásio poliesportivo para 8 mil pessoas abaixo desta plateia e todo o sistema de iluminação do complexo. Fez isso tudo, mas não soube a hora de deixar o cargo. Nas palavras do torcedor e sócio Arturo, 68 anos, a explicação: “Ele foi um ser humano notável, extraordinário. Mas ficou tempo demais à frente do clube e, quando isso acontece, tudo se contamina e você se afasta da realidade”.
A situação financeira, ruim quando Leyden deixou o cargo, só fez agravar nas temporadas seguintes. O Ferro foi perdendo torcida e, ainda pior, sócios. Como parte de um contexto que também afetou as agremiações brasileiras, decaiu a importância das sedes sociais a partir dos anos 1990, minando a mais relevante fonte de receita do Ferro. Em campo, os resultados também não ajudavam. Daí para a falência completa, no começo dos anos 2000, não tardou muito. Antes mesmo de ter a insolvência decretada, o Verdolaga desceu para a segunda divisão – e para a terceira no ano seguinte. Acabou voltando para a B Nacional, mas nunca mais para a elite.
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Não mais enfrentar os cinco grandes (Boca, River, San Lorenzo, Racing e Independiente) faz muita falta, mas o que mais lamentam os torcedores do Caballito é a ausência do Clássico do Oeste, o embate contra o Vélez Sarsfield, rival com quem compartilha o ramal ferroviário que cruza a cidade do centro até o limite oeste, no bairro de Liniers. A linha de trem, por sinal, tem importância destacada para estes dois e para grande parte dos times portenhos: enquanto o Ferro foi fundado em 1904 por um grupo de 95 funcionários da companhia inglesa Ferro Carril Oeste (Buenos Aires Western Railway), o Vélez empresta seu nome da antiga estação Vélez Sarsfield, hoje Floresta – o bairro onde se fixou outro clube, o All Boys.
Para o Vélez, no entanto, a rivalidade com o Ferro já não é encarada com reciprocidade. Campeão da Libertadores e do Mundial em 1994, El Fortín foi alçado a um patamar quase único: não deixa de ser um dos tantos “clubes de barrio” de Buenos Aires (como o próprio Ferro e mais All Boys, Nueva Chicago, Chacarita, Atlanta, Huracán, Argentinos Juniors, Barracas Central, Defensores de Belgrano, entre outros), mas enfrenta de igual para igual as equipes de maior torcida e tradição – já há muito tempo e com enorme consistência. Desde 1993, foram oito títulos argentinos – só o River ganhou mais – e cinco internacionais. Além de um estádio que pode ser considerado exemplar entre as canchas portenhas, o Vélez ostenta um dos elencos mais fortes e regulares do país.
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Disso se ressente a gente do Oeste (como muitos preferem chamá-lo); para passar ao largo do abismo entre os dois clubes, a torcida prefere cultuar o passado, como se o presente nada fosse. Assistir a uma partida no antigo estádio de madeira é como voltar a tempos idos (o estado de abandono de boa parte da estrutura reforça essa impressão). O Ferro se acostumou a jogar para um público envelhecido e saudosista – além de mais enxuto, bem distante da média dos 20 mil por jogo de outrora. Perdeu-se também o caráter popular que sustenta qualquerhinchada. “É uma torcida de classe média. Você não vê pobres aqui na torcida do Ferro”, atesta Arturo.
Ele tem razão: de certo modo, o Verdolaga reflete o perfil do bairro de Caballito, repleto de novos condomínios de alto padrão, alguns dos quais cortando todo o horizonte que antes se tinha a partir do estádio. É um cenário contrastante com o que se costuma se observar na maior parte das canchas argentinas: o Arquitecto Ricardo Etcheverry fica encravado em uma zona bastante populosa, mas tranquila ao extremo. É possível caminhar pelas avenidas paralelas, incluindo a Rivadavia, a maior do país, sem se dar conta da existência de um estádio ali perto.
A cancha do Ferro (os argentinos costumam se referir aos estádios do país assim, sem levar em conta o nome oficial) merece uma descrição à parte. Erguido em 1905, em um espaço anexo à estação Caballito, é considerado o mais antigo do país ainda em atividade. Entre as tantas curiosidades que se contam a respeito, diz-se que era comum trocar jogadores por materiais de construção. A história registra ainda incêndios que o destruíram parcialmente e longos períodos de empréstimo a outros clubes portenhos – que optavam por ele devido à localização privilegiada.
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O nome de Ricardo Etcheverry só foi outorgado em 1995, em referência ao dirigente idealizador da belíssima tribuna semicoberta (de 1976) que representa a única inovação no lugar em mais de século. Como todo o restante permanece com a mesma estrutura, o estádio é conhecido por El Templo de Madera. Embora a capacidade atestada seja de 24 mil torcedores, era comum que o clube jogasse para mais de 35 mil pessoas nos anos 1980.
Hoje, o Ferro joga para plateias de, no máximo, 8 ou 10 mil pessoas – mesmo quando obrigado a mandar seus jogos em outros estádios, caso de uma partida recente contra o Gimnasia de La Plata, na cancha do Huracán. Já é notável se considerarmos as médias de público dos grandes clubes brasileiros e tem ainda mais peso porque o aguante que vem da arquibancada é tipicamente argentino: trapos pendurados, faixas por todos os lados, cantoria do primeiro ao último minuto, músicas com letras elaboradas e que fazem referências históricas – como o dia em que “coparam o Maracanã”. Convenhamos: é preciso ter muito amor para alentar um time que se acostumou às posições intermediárias da B Nacional – é atualmente o 14º em um campeonato disputado por desconhecidos como Aldosivi, Crucero del Norte, Douglas Haig e Patronato.
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Tem sido essa a rotina desde o início deste século, quando o Ferro teve a falência decretada, em um cenário agravado pela crise financeira que atingiu a Argentina (o país chegou a ter cinco presidentes em 12 dias no fim de 2001) e que também colaborou para levar à bancarrota o grande Racing Club (“No me olvido ese día/ que una vieja chiflada decía/ Que Racing no existía/ que tenía que ser liquidado”, canta La Guardia Imperial, em referência ao episódio em que a torcida evitou que um dos clubes mais vitoriosos da história encerrasse as atividades). Ao contrário do Racing, no entanto, o Ferro nunca mais conseguiu se recuperar, e as gestões seguintes apenas agravaram a situação.
A campanha fraca na temporada 2012/2013 (7 vitórias, 13 empates e 9 derrotas) evidencia a qualidade do time, abaixo da crítica. As receitas com patrocínio despencaram, e nem de longe justificam o emaranhado de desconhecidas marcas a conspurcar o uniforme verde com detalhes em roxo. É aí que um Defensa y Justicia faz o que bem entende com o clube centenário. Em meio a isso tudo, com a bola tentando rolar em um gramado irregular e enquanto se observa a paixão ainda imberbe dos pibes que correm atrás de uma outra bola, entre a arquibancada de madeira e o enferrujado alambrado, fica difícil mesmo não querer que eles entrem em campo.
Afinal, é pelos jovens torcedores que ali estão que o Ferro pode continuar a ter relevância – e eventualmente ressurgir – em um futuro não muito distante. Se ocupa ainda espaço de destaque no noticiário e no imaginário popular é porque, para além de toda a mística que o cerca, a cultura bonaerense confere aos “clubes de barrio” uma importância bem maior do que a concedida aqui no Brasil, onde os pequenos de São Paulo (vide o caso do Juventus da Mooca) e Rio foram dizimados.
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Recentemente, veio o alento de que o velho estádio de Caballito passaria por uma ampla (e, ao menos neste caso, necessária) reforma. A curva do lado oposto à Platea Sur (que concentra os barra-bravas locais) e a arquibancada central já foram parcialmente desmontadas – com capacidade reduzida, o estádio não pode receber duelos com muita torcida visitante. A promessa é que os dois setores serão reconstruídos, com cimento mesmo, a exemplo da tribuna principal. “Mas falta dinheiro e a obra está parada”, resigna-se Roberto, 57, outro que viu o auge do Ferro e agora convive com a penúria de tempos tão modernos.
Enquanto olha para os dois espaços fechados, que conferem ao lugar uma aparência de abandono, sua mente viaja: “Vocês estão construindo estádios lindos para a Copa…”, diz, sem disfarçar uma admiração pouco reflexiva sobre o que se passa hoje no Brasil. Certo mesmo é que nenhuma arena, por moderna e confortável que seja, tem a alma e a história presentes em cada tábua de madeira do velho estádio de Caballito, a três quadras do coração de Buenos Aires.
*A Libertadores/1985
A primeira fase foi disputada em quadrangulares clássicos, como acontece hoje, mas com duas diferenças essenciais: eram apenas quatro chaves e só avançava o campeão. O grupo 1 reuniu argentinos e brasileiros (a concentração de clubes de apenas dois países perdurou até o ano 2000): Argentinos Juniors e Ferro Carril Oeste, campeões argentinos do ano anterior, e Vasco e Fluminense, campeão e vice brasileiros de 1984. Campanhas idênticas fizeram os dois argentinos (quatro vitórias, um empate e uma derrota) e os dois brasileiros (três empates e três derrotas). Foi necessário então um jogo de desempate entre os clubes portenhos, na cancha do Vélez: o Argentinos venceu por 3 a 1 e partiu dali para a inédita conquista da Libertadores.
Postado originalmente no Impedimento (http://impedimento.org/2013/04/16/grandeza-perdida-em-caballito/) pelo jornalista Rodrigo Barneschi e reblogado com autorização dos mesmos.