sexta-feira, 11 de maio de 2012

Clima tenso entre presidente e barra do Independiente

"El club es de los socios" cantaram...
(Foto: Olé)

Tudo começou em Dezembro de 2011 quando Javier Cantero, candidato da chapa de oposição "Independiente Místico", venceu as eleições que teve 11.685 votantes (recorde na história do clube). Cantero, economista, recebeu o clube com uma dívida de mais de 200 milhões de pesos e a pressão de uma década sem nenhum título nacional.

O presidente anterior também deixou algo muito importante. Julio Comparada tinha uma relação estreita com as barras bravas, praticamente equivalente as Torcidas Organizadas no Brasil. Na última semana, Javier Cantero, candidato da oposição, acabou com os privilégios da torcida que, como resposta, decidiu ficar calada no jogo diante o Banfield. Cantero manteve a sua posição e, nessa sexta, recebeu uma ligação anônima que afirmava que havia uma bomba na sede do Rojo. A polícia foi chamada e não achou nada no local.

Já pela noite, sócios do Independiente se reuniram na frente da sede do clube para apoiar a decisão de Javier Cantero. O presidente, surpreendentemente, saiu da sede e conversou com os sócios. Na sua opinião os verdadeiros torcedores da barra-brava que querem pagar menos para irem ao jogos, devem se tornar sócios. Tirando as pessoas de boa índole (se é que ainda existem), Cantero afirmou que é o primeiro presidente contra barra-bravas e que não tem medo "deles". Em seguida, os sócios cantaram e apoiaram a decisão de Cantero. Após o discurso, em entrevista a Fox Sports Argentina, Javier Cantero falou que outros presidentes de clubes estão com ele pelo fim das barra-bravas.

O clima é tenso para o jogo do Independiente amanhã, no Libertadores da América, diante o All Boys. Javier Cantero acabou criando uma guerra entre barra brava e sócios, tentando acabar com esses vândalos em todo futebol argentino. Com toda certeza teremos reforço policial caso tenhamos algum desentendimento entre ambos. E essa confusão ocorre justamente quando o Independiente parece engrenar no campeonato com seus garotos da base jogando "o fino da bola". Me lembra até o Palmeiras...

Torcedor do Racing apoiou a marcha anti barras-bravas
e foi bem recebido pelos torcedores rivais.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Vélez tenta de novo


Se é verdade que o Vélez Sarsfield vem marcando presença constante e razoavelmente relevante nos últimos anos na Libertadores – foram sete participações nos últimos dez anos, incluindo uma semifinal no ano passado –, a outra verdade é que tem fundamento a fama de fazer bonito nas fases iniciais para ser eliminado por um time mexicano. Não se sabe se uma coisa tem a ver com a outra, mas na noite desta terça-feira o time de Liniers apresentou a cancha necessária para ir avançando na Libertadores: cozinhou o Atlético Nacional, empatou em 1 a 1 e se classificou para as quartas de final.
Depois de surpreender o continente e vencer o Carrossel Cafetero por 1 a 0 na Colômbia, o Vélez Sarsfield recebeu os colombianos com uma postura defensiva, mesmo jogando no Fortín de Liniers. O primeiro tempo foi todo do Atlético Nacional, mas posse de bola é importante desde que casada com a inexorável necessidade do gol – me abraça, professor Ruy. Pois foi assim que a primeira etapa terminou mesmo no 0 a 0.
Posto que o resultado também não era dos mais confortáveis para o Vélez, os donos da casa voltaram do intervalo com o fogo no rabo. Antes dos dez minutos, Pezzuti foi obrigado a fazer baita defesa após cabeceada de Sebá Domínguez. Mas em seguida, numa boa jogada pela esquerda, Cabral chutou na trave e a bola sobrou para Fernández abrir o placar.
O jogo voltaria a ficar interessante no empate colombiano. Mosquera fez os adversários de MOSCÕES (desculpem) e, na cobrança de falta, fez que ajeitaria a bola para o companheiro e mandou na gaveta. Nada, no entanto, que representasse grande risco de reviravolta na partida. Matreiro e sem goleada, o Vélez se classificou para esperar o vencedor de Santos e Bolívar.
Uma pena ver o Carrossel Cafetero se despedir tão melancolicamente da competição. Apresentaram um futebol vistoso e delirante no começo da Libertadores, mas afundou-se aparentemente na própria falta de organização político-administrativa. Por outro lado, o Vélez novamente aparece como protagonista na competição, e mais uma vez liderado por Ricardo Gareca, que treina o time desde 2008. Uma hora, acerta. Talvez não este ano, já que possivelmente terá pela frente o Santos do imparável Neymar (entrei no Impedimento pelo sistema de cotas para os amantes do JOGO BONITO).
Postado originalmente no Impedimento (http://impedimento.org/2012/05/09/velez-tenta-de-novo/) pelo Daniel Cassol.

Lanús busca a virada, mas é eliminado nos pênaltis


Mesmo com bons resultados nas últimas partidas pelo Clausura, o Lanús teve dificuldades na partida contra o Vasco, válida pelas oitavas-de-final da Copa Libertadores da América. Com o resultado adverso de dois a um da primeira partida, um vitória simples classificaria a equipe argentina.
Antes da partida, o Vasco surpreendeu na escalação e veio com Nílton na equipe titular e não Felipe, como era especulado.  O Lanús veio sem surpresas, apresentando a escalação aguardada para a partida. Portanto, as duas equipes começaram nos seus esquemas táticos habituais: Lanús no 4-2-3-1 e Vasco 4-3-3.

No começo da partida, como era esperado, o Lanús pressionava, mas não conseguia transpor a barreira defensiva formada pela equipe brasileira, que não deixava outra alternativa que não os cruzamentos feitos ainda da intermediária pela equipe mandante.

Após a pressão inicial, o Vasco surpreendeu a avançou sua equipe, passando a pressionar e dominar a partida. Mesmo com o domínio do Vasco, a equipe cruzmaltina  não conseguia finalizar, tanto que o gol de Nílton saiu em uma bola chutada de longe, a qual fez uma curva cinematográfica. A partir do gol, os brasileiros se fecharam, defendendo sempre com 9 jogadores – linha defensiva, três volantes  e os dois atacantes de lado – que bloqueavam os espaços dos meias do Lanús e não deixavam espaços para a criação de jogadas.

Mesmo com o domínio do Lanús, quem chegava com mais perigo era a equipe do Vasco em contra-ataques em velocidade com Diego Souza e Éder Luis pelos lados. O Vasco não aproveitou as chances, o Lanús não criou e o primeiro tempo acabou com a vantagem do Vasco em um a zero.

Na volta do intervalo, o Vasco veio mais aberto e proporciou muitos espaços ao time da casa, que pressionava bastante e não dava espaços para que o Vasco organizasse seus contra-ataques. Após muita pressão, o Lanús chegou ao gol com Pavone em falha da defesa vascaína. Após o gol, os argentinos não diminuíram o ritmo e continuaram pressionado o Vasco, com boas chances desperdiçadas.

O Vasco tentou mudar a sua postura com a entrada de Allan no lugar de Diego Souza e a mudança de esquema para um 4-2-3-1, mas o Lanús contragolpeou com as entradas Romero e Gutierrez nas vagas de Pizarro e Valleri, mudando o esquema tático para um 4-2-4. Precisando do segundo gol, a pressão se tornou cada vez maior até que Velázquez arriscou de longe, Fernando Prass deu rebote e Gutierrez completou. Era o gol que igualava o placar e levava a partida para os pênaltis. Mesmo com as entradas de Felipe e Carlos Alberto, o panorama da partida não mudou e o resultado final foi o 2 a 1.

Mesmo com boas cobranças de Regueiro, Velázquez, Camoranesi e Fritzler, Romero acabou acertando o travessão. Já as cobranças do Vasco, embora não muito bem batidas, foram convertidas por Felipe, Juninho, Carlos Alberto, Renato Silva e Alecsandro. E, com isso, o Lanús acabou sendo eliminado da Copa Libertadores.

O resultado faz retornar o antigo estigma que persegue o Lanús há muito tempo: o de não ter camisa. A equipe vem montando bons times, mas não consegue  fazer boas campanhas na principal competição sulamericana.

Com poucas chances de título no Clausura 2012 e eliminado da Copa Argentina, resta ao Lanús brigar por uma vaga na Libertadores 2013 para, quem sabe, superar a mística e se consolidar como um força do futebol sul-americano.

Esses adversários que não dão folga...

Tanto o Boca Juniors quanto o River Plate não andam tendo folga como no semestre passado. O Boca, campeão invicto com larga diferença ao Racing, e o River com uma certa folha da zona de Promoción (3º e 4º lugar da Nacional B). Na primeira divisão, Newell`s, Vélez e até mesmo o Tigre (virtualmente rebaixado por boa parte imprensa no início da competição) oferecem resistência. Na Nacional B, Instituto briga "cabeça a cabeça" com o Millo e agora apareceu o tradicional Rosário Central para atrapalhar, sem contar o Quilmes que não larga da cola...


Gerardo Martino FC, Campeão para não cair e o mesmo de sempre. Esses são Newell`s Ols Boys, Tigre e Vélez Sarsfield.
Joga feio, mas ganha partidas
(Foto: Olé)


Newell`s Old Boys (25 pontos): Outro time pragmático que se dá bem na Argentina. E ano passado ficou em 18º lugar com míseros 16 pontos. Uma coisa mudou: Gerardo Martino, aprendiz de Marcelo Bielsa. O Newell`s não joga bonito, mas tem uma espinha dorsal interessante. Pellerano na defesa, Pablo Pérez e Bernardi no meio e o garoto Urruti, ainda irregular, no ataque. 








Luna e Maggiolo na bola aérea, jogada característica
do Tigre de Arruabarrena (Foto: Olé)
Tigre (24 pontos): Uma campanha à la Fluminense de 2009 com Renato Gaúcho no comando contrapondo matemáticos famosos e tudo. É disso que o Tigre precisa. Até o momento, grande campanha que, se permanecer assim, salva o time do descenso direto, pelo menos. Um trio ofensivo vem encantando a todos. Com a perda de Stracqualursi para o Everton-ING no início da temporada, Ezequiel Maggiolo foi contratado. O velhinho mostrou que ainda é bom de bola e fez dupla com o também da casa, Carlos Luna. Diego Morales é o maestro pouco comentado. Lá atrás, surpreendentemente, Javier García faz bom campeonato.


Augusto e Cerro comemorando classificação para
as quartas da Libertadores. (Foto: Olé)
Vélez Sarsfield (23): Outro time pragmático, mas que ainda peca na irregularidade nessa temporada. Na última semana, Gareca tentou voltar com o 4-2-3-1 que levou o time de Liniers nas semifinais da Libertadores, sendo eliminado pelo Peñarol. O time sofreu perdas, que tiveram boas peças de reposição. Maxi Morález por Fede Insúa e Santiago Silva por Lucas Pratto e Óbolo. O substituto de Ricky Álvarez, uma espécie de 12º jogador da equipe, foi achado no grupo. Se trata de Iván Bella, jogador com as mesmas características. Falta maior regularidade a equipe que sofre da Insúadependência. Como no jogo diante o Atlético Nacional, o time, em momentos, parece sofrer com a falta de confiança e gosta de transformar jogos fáceis e grandes emoções ao torcedor. Lembrando que ano passado também era assim e o Vélez começou a apresentar bom futebol somente nas quartas-de-final...


O time das promessas, o gigante de Rosário e os cervejeiros chatinhos. Esses  são Instituto, Rosário Central e Quilmes.


Pablo Dybala já está acertado com o Palermo. Antes,
 ele quer ganhar o título no seu time do coração.
Instituto (63): Com a filosofia de Marcelo Bielsa, Darío Franco está levando, parcialmente, o Instituto ao tri campeonato da Nacional B. Com uma torcida bastante exigente, foi difícil a implantação dessa filosofia. Franco, pretendido por Estudiantes e Universidad do Chile, quer que o time toque bastante a bola, sem se livrar dela em momentos de pressão, o que é muito normal na Nacional B. Em um 3-4-3, há várias trocas de posições em velocidade, o que deixa ainda mais difícil a marcação do adversário. O garoto Dybala, outro Nuevo Messi e já negociado com o Palermo da Itália, é a sensação do time que conta com outras peças: López Macri, Lagos, Videla, Encina, Canever e Fileppi são exemplos disso. Até uma certa rotação acontece. Na minha opinião, o futebol mais bonito de todas as divisões da Argentina está em Córdoba. Está no Instituto.




Nessa temporada, Castillejos parece só fisicamente com o
 Fernando Torres. Em campo, está incrivelmente melhor.
.
Rosario Central (62): Joga simples e totalmente em função do seu centroavante artilheiro, Gonzalo Castillejos. Revelado pelo clube, Castigol tem 22 gols no campeonato, 3 na frente de Piriz Alves e 4 de Cavenaghi. A experiência também está fazendo a diferença. Omar  Zarif (34), Germán Rivarola (33), Paulo Ferrari (30), Matías Lequi (30), Leonardo Talamonti (30), Ricardo Gómez (30), Julio Mozzo (30) mostram o diferencial do time de Rosário na Nacional B. E claro, a camisa também pesa. O Central tem 4 títulos nacionais e uma Copa Conmebol de 1995.


El Chino Caneo, em toda sua carreira, só
brilhou no Quilmes.
Quilmes (58): Rebaixado na temporada passada, após apresentar ótima campanha somente na reta final de campeonato, o Quilmes manteve a base e também o bom DT Caruso Lombardi que saiu há aproximadamente um mês para ir dirigir o San Lorenzo e seu drama de fugir do descenso. Assim como o Tigre, o Quilmes tem um grande trio ofensivo. Miguel Caneo é o enganche do time, abastecendo dois goleadores natos.  Telechea, 11 gols na temporada, e Cauteruccio, 9 gols. Rescaldani, promessa do Vélez, também vem entrado nos jogos e correspondido. Trípodi é seguro e mostra o porquê do Quilmes ter a 2ª melhor defesa da competição. Joel Carli e Sebá Martínez também são seguros na defesa. O time deve disputar a Promoción, já que está 8 pontos na frente do Boca Unidos, 5º colocado, e Central, River e Instituto pouco vacilam. 


sábado, 5 de maio de 2012

O luxo das vitórias mínimas


Talvez o Boca Juniors de Júlio César Falcioni seja, junto do Corinthians, o time mais pragmático desta Libertadores. Some-se a isso não apenas os seis títulos conquistados, mas também a MAROTICE adquirida em campanhas que culminaram em nove finais (em 22 participações) e o que temos é uma equipe TALHADA para disputar as fases eliminatórias. Na primeira partida contra a Unión Española, a primeira pelas oitavas-de-final, esta estratégia do SE HACIENDO DE CHANCHO ficou mais comprovada do que nunca, pois, mesmo sem uma grande atuação, a equipe azul y oro leva a vantagem de 2 a 1 para o Chile.
O time xeneize esteve longe de realizar uma atuação vistosa, mas conquistou uma sempre fundamental vitória – ainda mais se observarmos o retrospecto de outros anfitriões nestas oitavas. Mas na primeira etapa os argentinos sentiram um certo arrepio na peladura. Como vocês leram aqui antes do início da competição, a Unión Española era um time PROMISSOR e, até aqui, cumpridor. Tudo que não tem de cancha e tradição, mostra de desempenho. Em plena Bombonera, enfrentou o maior time da Era Moderna da Libertadores em condições de igualdade, até criando mais chances que os locais. Graças a um meio-campo comandado por CORDEIRO e Mauro Díaz, ex-jogador e torcedor assumido do River, que sozinho conseguia LUDIBRIAR dezenas de xeneizes, além dos volantes Villagra e Leal, que formavam um setor consistente, tomando os espaços. Juntos, eles deixaram em condições iluminadas os atacantes Jaime e Herrera por algumas vezes. Mas, quando Órion não estava atento, a pontaria falhava.
Este aparente domínio de LA GRIPE ESPAÑOLA, como o time chileno será conhecido a partir de agora, no entanto, era a senha que anunciava o gol xeneize para todos aqueles mais atentos aos caminhos tortuosos que descortinam LA COPA. O time de Falcioni, que só havia chegado com chutes de longe e algumas escaramuças aleatórias na área, viu a bola cair no pé sempre RECEPTIVO de Riquelme, que escorou para Cvitanich, que devolveu ao já veterano maestro, e daí o chute cruzado morreu nas redes. O camisa 10 era dúvida antes da partida. Naquela altura do jogo, o Boca encontrava enormes dificuldades para atacar. Seus laterais, Sosa e Clemente Rodriguez, não se aventuravam e, apesar de Riquelme e Erviti aparecerem bastante, não conseguiam SUPRIR o ataque, onde EL TANQUE Santiago Silva arregalava os olhos e bufava como um touro DEPILADO.
Para a segunda etapa, a situação alterou-se. O Boca Juniors conseguiu permanecer um bom naco de tempo com a bola, rondando a área chilena e levando alguma preocupação ao arqueiro LOBOS. Também conseguiu reduzir os espaços de Diaz e Cordeiro, de forma que impedia a equipe treinada por SIERRA de construir chances similares às que desperdiçara no começo. Mas o pragmatismo do Boca – de tentar atacar com parcimônia, de supor que detém a coordenação de todos os movimentos – acabou pendendo para certo ENFADO, até mesmo soberba, e justamente quando os chilenos pareciam inofensivos, aconteceu o gol de empate. Uma bola espanada do campo de defesa foi cabeceada de forma bisonha por Sosa para o centro da área e sobrou para JAIME invadir e deslocar Orión.
Com a tranca arrebebentada e aquele famigerado gol em casa sendo uma dura realidade, não restou ao Boca outra alternativa que adotar a tática do CORRALITO. Passou uns bons quinze minutos rondando a área adversária, já com Mouche como jogador mais agudo, Riquelme girando de um lado para outro, bailando sobre a bola – não mais aquela CÚMBIA dos áureos tempos, anos atrás, mas um ainda cumpridor e compassado bolero da velha guarda. Numa destas estocadas, Erviti driblou uma porção de adversários, invadiu a área e chutou na trave.
Quando tudo parecia arrefecer, uma bola espanada repicou em Mouche e sobrou para Riquelme, que acionou o atacante. Pela esquerda, Mouche, um atacante que entra com frequência, cruzou para a entrada da área, no exato ponto onde Santiago Silva, que vinha em desabalada carreira, executou um salto magistral e uma cabeçada fulminante, vencendo Lobos assim como venceria uma alcateia de arqueiros perfilada sob a trave. E ainda tivemos tempo para Scotti, ex-Nacional, tentar DESCADEIRAR Riquelme com um vistoso e largamente gratuito RABO DE ARRAIA por trás, recebendo a roja, mas de alguma forma sentindo-se aliviado pelo estresse da rotina.
O vencedor deste confronto depara-se nas quartas-de-final com Fluminense ou Inter. A segunda partida ocorre em 10 de maio, uma quinta-feira, às 19h30. O Unión Española deixou escapar um resultado MAGÂNIMO dentro da Bombonera, mas é um time que sabe jogar e que já mostrou se atrevido. No entanto, arrisco dizer que o Boca Juniors passa, até com certa tranquilidade – o considerava FAVORITO mesmo se persistisse o empate em 1 a 1. O quadro do segundo jogo parece já me saltar aos olhos agora: time incendiado jogando em casa, por nosotros e pela história, pelo passado e pelo futuro, com a torcida inflamada. Atira-se sobre o Boca como um bêbado entre lençóis, todo enrolado, e sofre um gol de contragolpe. E depois, tentando recuperar-se, leva mais um. E assim a noite inteira, até o fim dos tempos. A menos, é claro, que sejam apenas nossos olhos viciados que ainda enxergam no time da Bombonera um certo caráter infalível que talvez ele já não tenha mais capacidade de ostentar.

Postado originalmente no Impedimento (http://impedimento.org/2012/05/03/o-luxo-das-vitorias-minimas/) pelo Douglas Ceconello.

O Mal de Liniers a favor de Liniers


Há muito se estuda na literatura médica uma doença que acomete aqueles que fazem bonito na primeira fase da Copa Libertadores da América e são eliminados precocemente nas oitavas de final. Recentemente, o DOUTOR Douglas Ceconello batizou a efermidade de MAL DE LINIERS, em homenagem ao Vélez Sarsfield e sua mania de entregar a rapadura na hora do vamovê – para utilizar apenas a linguagem técnica. Na noite trabalhadora da última terça-feira, quando perdeu o jogo de ida das oitavas por 1×0, o Nacional de Medellín apresentou os primeiros sintomas da doença contra, curiosamente, o próprio Vélez.
O Atlético Nacional foi time que mais encantou o continente na primeira fase. Seu toque de bola rasteiro e vertical se aproveitou da velocidade e poder de conclusão de Dorlan Pabón, o camisa 8, artilheiro e revelação da competição, e distribuiu goleadas pelas veias abertas da América do Sul. É verdade que a defesa do CARROSSEL CAFETERO também tinha veias, artérias e laterais abertas. O Nacional distribuiu goleadas, como o histórico 4×0 contra o Peñarol dentro do Centenário, mas também sofreu gols em demasia, conjugando a insólita situação de possuir o melhor ataque e a pior defesa (empatado com o Emelec) entre os classificados para a segunda fase da Copa. O Vélez, por sua vez, passou pela fase de grupos oscilando boas vitórias e derrotas de três gols para Deportivo Quito e Defensor. Não seria em 2012 que o Vélez seria acusado de amarelar nas oitavas: não havia expectativa que justificasse a frustração.
Por tudo isso, na noite de terça, no Atanasio Girardot, esperava-se um Fortín cauteloso, disposto a levar a decisão para o José Amalfitani. No entanto, foi o Vélez que ditou as regras do carteado e saiu distribuindo o baralho como veranista em dia nublado. Pabón chegou a perder um gol na frente do goleiro nos primeiros minutos, mas, aos 8, o Vélez tirou o ás da manga. Martínez levou metade da Colômbia na conversa em jogada pela esquerda e encontrou Bella livre na entrada da área, que cortou para o meio e chutou no cantinho do goleiro Gastón Pezzuti. Gol fora de casa, nos primeiros minutos de jogo e contra o time-sensação do campeonato costuma significar somente uma coisa: um retrancão dos diabos.
No entanto, o Vélez foi MAGNÂNIMO no jogo. Martínez segurava a bola como queria no ataque e a defesa jogava compactada para evitar a penetração furtiva do esquadrão de Medellín. O Nacional talvez sofresse com os acontecimentos dos últimos dias. Para quem não acompanhoua nossa atualização dos certames nacionais, vale repetir a história. O comandante do Carrossel Cafetero, Santiago Escobar, foi demitido na segunda-feira, véspera de embate de oitavas-de-final da Libertadores. No mínimo, imprudente da direção verdolaga. Uma semana antes, Pabón e Macnelly Torres, os craques do time, teriam chegado ao treino BORRACHOS. Acabaram trocando sopapos com Mosquera, acusado de não passar a bola. Mosquera foi treinar em separado, o que teria irritado o grupo, que esperava alguma punição para os craques embriagados.
Que enredo. De qualquer forma, Escobar foi para a rua e a equipe foi conduzida pelo interino contra o Vélez. Jamais saberemos até que ponto as confusões fora de campo foram decisivas para a atuação do Nacional. Pabón e Macnelly Torres passaram o jogo trocando passes insinuantes, mas, diante da segurança defensiva de Sebá Domínguez e companhia, não conseguiram muitas chances de golo. O Fortín, entretanto, passaram o jogo infernizando as redondezas da defesa do Nacional, principalmente com Martínez e Lucas Pratto. Aos 34 minutos, o interino verdolaga, Norberto Peluffo, fez uma troca tática para dar mais ofensividade ao time, colocando Quintero no lugar de Pérez. Pouco adiantou: antes do final do primeiro tempo, o Nacional levou perigo apenas com um chute de Pabón. Lucas Pratto ainda perderia chance claríssima na frente do goleiro antes do apito final.
Na volta do intervalo, Martínez, de atuação SOBERBA, foi derrubado na área e o juiz marcou pênalti. O próprio atacante foi para a cobrança, mas permitiu a defesa de Pezzuti. O lance dava a impressão de que o Nacional ganharia moral para pressionar. Pabón recebeu lançamento precioso e ficou frente a frente com Barovero, mas o goleiro tirou com o pé. Apesar da tentativa de impor uma correria, o tempo seguia nublado para os colombianos e os de Liniers continuaram o carteado como se não houvesse nada melhor para fazer. Não se pode acusar Pabón e Macnelly Torres de sumir do jogo. Ambos trocaram uma infinidade de passes e o garoto de ouro de Medellín chutou umas DUZENTAS bolas em gol.
No fim de jogo, Lucas Pratto e Martínez perderam um punhado de contra-ataques para o cansaço. Os atacantes ajudaram na marcação durante e puxaram todos os avanços. Não fosse um ogro pesado correndo feito um moleque, Pratto poderia ter tido mais sorte para ampliar o placar e sair da Colômbia com classificação definida.
Terça que vem, às 20h, o Vélez recebe o Nacional no José Amalfitani para o jogo de volta. Daí veremos se os colombianos encontraram um antídoto para o Mal de Liniers.
Postado originalmente no Impedimento (http://impedimento.org/2012/05/02/o-mal-de-liniers-a-favor-de-liniers/) pelo Alexandre de Santi.

Mesmo com vaias da torcida, Vasco vence o Lanús

Regueiro se deu melhor no duelo particular com Fágner
(Foto: Olé) 

Em São Januário, Vasco e Lanús, vivem situações diferentes, protagonizaram um ótimo jogo. O primeiro chegou para o embate após uma derrota por 3 a 1 para o Botafogo, ficando com o vice da Taça Rio e deixando de disputar a final do Campeonato Carioca 2012.  Já o Lanús venceu o Racing por 3 a 1, com um show do seu time.

O início de jogo foi morno, do jeito que o Lanús queria. O Vasco, aos poucos, foi pegando o clima da partida, porém foi em uma escapada de Regueiro que o time grená chegou primeiramente. O uruguaio deixou Valeri na cara do gol. Fernando Prass saiu nos seus pés, El Pelusa tocou por cima e a bola bateu acidentalmente na cara do Prass. Aos 25 minutos, um minuto depois, Alecsandro abriu o placar. De coxa e em posição duvidosa, após cruzamento de Éder Luís. O Lanús sentiu o gol e se perdeu na partida. Aos 42 minutos, após excelente jogada individual, Diego Souza ampliou. Basta. A dura de Gabriel Schurrer não foi pequena no vestiário.

O Lanús voltou diferente e com mais vontade. Falta criação. A linha de três meias isolava demais Pavone. Valeri (direita), Camoranesi (centro) e Regueiro (esquerda) eram bem marcados. Era preciso um elemento surpresa. E ele apareceu. Um dos menos esperados, Araújo, merecidamente muito contestado pela torcida, arrancou e tabelou com Camoranesi. O italiano cruzou para Regueiro, nas costas do Fágner, dominar a bateu forte com a perna direita. Com o gol o Lanús melhorou, justamente o contrário do primeiro tempo. Em uma oportunidade Regueiro bateu "mascado" com o goleiro já batido. Romero entrou no lugar de Valeri e chamou as jogadas do Lanús para o flanco direito, jogando sobre o Thiago Feltri que estava cansado. Teo Gutiérrez entrou e perdeu a única oportunidade de gol que teve, além de não dar sequência em jogadas, diferentemente de Mariano.

Com um tempo para cada time, o Lanús chega em La Fortaleza para decidir precisando de uma vitória por 1 a 0. Vitórias diferentes dessa e com um gol de diferença levam a classificação para os pênaltis (2 a 1) ou para o Vasco. Os jogadores do Lanús ficaram satisfeitos com o primeiro placar. Agora, para tirar essa diferença, tem que jogar mais do que jogou no Rio de Janeiro.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Resumão da 12ª rodada do Clausura

O Vélez depende de você,  Insúa.
(Foto: Olé)
Estudiantes 0 X 2 Vélez: O primeiro jogo dessa 12ª rodada ocorreu ainda na tarde de sexta-feira. Os dois maiores times do final da última década no futebol argentino voltaram a se enfrentar. Um Estudiantes que não vencia há quatro rodadas, principalmente derrotas de 3 a 0 pro Boca e 3 a 2 para o Rafaela, deixaram a equipe abatida. Já o Vélez, uma equipe imprevisível. De possível melhor campanha da 1ª fase da Libertadores para uma derrota diante o Defensor-URU em casa  e um jogo pífio diante o Lanús que vive o mesmo problema de irregularidade. Nesse jogo o Vélez mostrou a sua cara da última década. El Pocho Insúa foi determinante para a boa atuação da equipe, mas essa "Insuadependência" preocupa. Aos 22 minutos, Óbolo finalmente caiu pelos lados - dessa vez esquerda - e cruzou. A bola passou por todos até Insúa dominar e marcar, deixando somente na memórias dos torcedores e previsibilidade do time. O gol desaminou ainda mais o Estudiantes e, 12 minutos mais tarde, Martínez ampliou em uma de suas características pouco usadas. O cabeceio que ocorreu após cruzamento em escanteio do Fede Insúa. Além da derrota, demissão de El Vasco Azconzábal que parecia ter encontrado a fórmula da equipe, mas se perdeu com o tempo e lesões. Para seu lugar, são cogitados Martín Palermo e Juan Sebastián Verón que poderia adiantar a sua aposentadoria.

Saja nada pode fazer e apenas observou...
(Foto: Olé)
Lanús 3 X 1 Racing: Na partida que fechava a noite, o Lanús recebeu, de volta a sua casa, Zubeldía só que do outro lado. Luis enfrentou a equipe de seu coração e que o arquitetou tanto como jogador quanto como técnico para o mundo. Pela primeira vez, sentiu o sabor da derrota com a camisa celeste. Na sua estréia, 2 a 0 no fraco Sarmiento pela Copa Argentina e só 1 a 0 no lamentável San Martín. O jogo que começou com um atraso de 30 minutos devido ao trânsito que impossibilitou a presença de Germán Delfino, não teve nada de anormal, salvo este fato. O Lanús, se impondo, como deve fazer e poucas vezes faz, pressionou e logo aos 15 minutos abriu o placar com Izquierdoz de cabeça, após escanteio de Valeri. Aos 35, após vergonhoso "deixa que eu deixo" na frente da área do Racing, Pavone recebeu, girou e bateu para ampliar. Jogo de um time só. Aos 19 do segundo tempo, Silvio Romero recebeu grande passe nas costas do lamentável Licht e tocou, de cobertura, sobre o Saja, mostrando a qualidade do elenco Granate. Aos 39 o gol do Racing que não foi de honra pela falta de gana da equipe. Pillud arrancou, abriu para o garoto Viola que fintou e bateu, contando com o desvio na zaga e a falha de Marchesín. Com a péssima campanha, uma combinação de resultados pode deixar o gigante Racing, ainda na próxima rodada, na zona de Promoción. Ou melhor, nesse jogo Gio Moreno + 10 FC.


Polícia cegou um torcedor inocente...
(Foto: Olé)
San Martín 1 X 0 Godoy Cruz: Dentro de campo, um horror. Fora dele, idem. Frustradas com o péssimo jogo apresentado pelas equipes, o que nada justifica, as duas torcida apelaram. Rivais da província de Cuyo que engloba Mendoza e San Juan, cidades de Godoy Cruz e San Martín respectivamente, as barras dos clubes tentaram o confronto dentro do estádio. A polícia interviu e feriu, até o que foi apurado, 100 torcedores do Tomba, deixando um cego. Dentro de campo, Carrusca fez um belo gol para os Verdinegros, aos 17 minutos do 2º tempo, que lutam honrosamente contra o descenso, mesmo com a falta de qualidade técnica evidente em sua equipe. No segundo tempo, Caruso teve a chance do jogo, mas isolou da travessão. Em outra oportunidade, após jogada individual, quase marcou com um chute de fora da área.


Tonso e Villalba, dois garotos juntos criados na base leprosa.
(Foto: Olé)
Newell´s 1 X 1 All Boys: Com o estádio Marcelo Bielsa lotado, a torcida empolgada com a boa campanha de um Newell`s que não se via há tempos, e com o favoritismo em mãos. Até o apito do início de jogo. Com pressão na saída dos Leprosos, o Albo se sentiu em casa. Aos 4 minutos, após falta cobrada, o artilheiro Matos subiu muito alto e testou no canto do Peratta. José Romero deu um "nó tático" em Tatá Martino, quando se esperava o contrário. O Albo se fechou, enquanto o Newell`s mantinha a posse de bola. O tempo passava e, honrosamente lutando contra o descenso, o All Boys segurava o bom time da Lepra. Até que, aos 46 minutos, um gol que aliviava um pouco da dor dos hinchas do Newell`s. Após chute cruzado de Bernardi, Tonso pegou bonito de primeira para empatar e deixar o Newell`s vivo na briga pelo título, mesmo com a vitória do Boca.

Isso que ele está em má fase...
(Foto: Olé)
Boca Juniors 1 X 0 Colón: Com duas equipes apresentando uma proposta ofensiva, que marcou primeiro foi o Boca no setor falho do Colón. Como Roberto Sensini joga com 3 zagueiros, Maximiliano Caire ficou encarregado pela ala esquerda, onde Franco Sosa, substituto de Roncaglia, deitou e rolou. Em um contra-ataque puxado por Erviti que terminou com um voleio de Santiago Silva, o Boca abriu o placar. O segundo tempo foi tenso. Com a expulsão de Insaurralde no final do primeiro tempo, o jogo era equilibrado, porém com uma pequena vantagem para o Colón. Aos 35 minutos do segundo tempo, foi a vez de Clemente Rodríguez. O Boca se fechou e os Sabaleros só chegara, em bolas aéreas e nos bate-rebates que consagraram os bons reflexos de Orión. Em 9, o Boca segurou e ainda tirou a draga de Santiago Silva que chega com moral para o duelo diante o Unión Española, quarta (2) pela Libertadores.

Osmar Ferreyra - esse sim é jogador de grupo.
(Foto: Olé) 
Independiente 2 X 0 Banfield: Com um DT inexperiente, porém hincha do clube e amigo dos jogadores, o Independiente vai chegando, pouco a pouco. Em 8 rodadas, Cristian Díaz conseguiu 17 pontos enquanto do outro lado Eduardo Acevedo conseguiu somente uma vitória (5 a 2 sobre o Olimpo) desde que assumiu. Falta experiência de alguns jogadores e, principalmente, talento aos jovens que estão sendo lançados. Para o próximo ano, El Taladro é um forte candidato ao rebaixamento já que a campanha de 2009 com Falcioni e Erviti irá "ser anulada". O Independiente passou grande parte do jogo tentando penetrar na área do Banfield, até que, quis o destino aos 25 minutos do 2º tempo, Osmar Ferreyra chutasse de fora da área e marcasse um golaço. Comemorou, muito emocionado, com todos jogadores relacionados para o confronto. Após o jogo, ofereceu o gol a sua filha Morena que teve um tumor no olho e acabou ficando cega. 10 minutos mais tarde, ele cobrou falta na cabeça de El Tecla Farías que tocou para as redes.
Obs: Sabella esteve no Libertadores da América vendo o jogo. Segundo ele, foi observar principalmente Julián Velázquez. Porém também esteve de olho na promessa Patito Rodríguez e no Tagliafico do Banfield. Todos eles para integrarem a Seleção Local que serve para testes.

San Lorenzo 2 X 0 Arsenal: 
Gigliotti e Salgueiro, goleadores da tarde.
Caruso Lombardi aprendeu. Depois de lamentar o empate sofrido no último minuto ante o Banfield, o time não cometeu os mesmo erros. Primeiramente, entrou mais relaxado em campo, sem ansiedade do gol. Depois do primeiro gol, soube controlar a posse de bola e não se fechou. Em um contragolpe, o "capitão do dia" (cada jogo Caruso escolherá um capitão diferente, pois ele quer todos sendo lídres)  Gigliotti marcou. Os dois gols foram em ótimas jogadas pela esquerda. Na primeira, Bazán fez jogada individual e cruzou na testa de Salgueiro e voltou a marcar depois de 19 rodadas. Na segunda, após contra-ataque puxado, Tellechea centralizou, Chávez fez o porta-luz e Gigliotti, que havia perdido um gol incrível anteriormente, chegou de carrinho. Caruso segue invicto com o San Lorenzo que, agora sim, luta com honra contra o descenso. Lombardi tem 8 pontos em 12 pontos disputados.

Jorge Velázquez abriu o marcador.
(Foto: Olé)
Unión 2 X 0 Olimpo: Com um Olimpo medíocre em que só Rolle se salva, a partida foi dominada somente pelo time de Santa Fé. Mas o gol custou a sair com Donnet batendo pênalti na travessão. Pelo chão, o Olimpo foi bem com boas atuações de Mancinelli e Perozo. Os gols dos Tatengues iriam sair pelo alto e só no segundo tempo. Aos 26 minutos, após cruzamento do bom Paulo Rosales, peça-chave da equipe, e cabeceio de Jorge Velázquez. E, aos 37 minutos, após jogada semelhante, foi Donnet quem testou se recuperando do pênalti perdido anteriormente. Com a vitória, fica difícil a queda do Unión e bem provável o descenso direto do Olimpo que não esboça nenhuma reação.

Iñíguez (esquerda) fez péssima partida.
(Foto: Olé)
Argentinos Juniors 0 X 0 Atlético Rafaela: A rede não quis balançar em La Paternal. O Argentinos Juniors tentou os 3 pontos, mas esbarrou na sua deficiência técnica e tática já que Astrada ainda não definiu uma formação. Rafaela, claramente, foi em busca de um ponto. Ao ver que o Bicho estava em péssima partida, começou a arriscar. Néstor Pitana não deixou. Anulou um gol claro de Federico González e não marcou pênalti claro de Sabia em Castro. Gandín teve oportunidades de marcar, mas parou em Ojeda. Do mesmo modo, Juan José Morales também parou em Sara. Com o placar, o Argentinos Juniors chega a 359 minutos sem marcar gols. E a torcida já pede a demissão de Astrada.

Belgrano 1 X 1 Tigre: No único jogo da segunda-feira, um bom futebol foi apresentado. Com a oportunidade de sair da zona de descenso direto pela 1ª vez no campeonato, o Tigre começou o jogo ousado. Logo aos 21 minutos, grande tabela de Maggiolo e Diego Morales resultou em um golaço do Matador de Víctoria. Satisfeito com o placar, o Tigre se fechou. No início do segundo tempo, após cruzamento de Marco Pérez, Farré testou, da linha da grande área, no canto de García igualando o placar.


Todos os gols dessa 12ª rodada, abaixo:


sábado, 28 de abril de 2012

O coração na curva do Rio da Prata

 Há quem diga que é visível a alegria momentânea do futebol argentino. Que se vive um campeonato empolgante, tanto na primeira como na segunda divisão, e que os estádios lotados, panorama frequente nas últimas rodadas, revelam a expectativa de la gente quanto aos desfechos que chegarão com o final do semestre. A euforia também estaria representada pelo duelo à distância que travam os dois gigantes porteños, confronto que aparece nos índices de audiência da televisão e pelo número de ingressos vendidos na Primera División e na Nacional B. Dias atrás, ambos atuaram sob o olhar de impressionantes sessenta mil torcedores – o River em Núñez, diante do Instituto, e o Boca em Córdoba, contra o Belgrano.
Mesmo no interior, existem os satisfeitos com a temporada, os que miram os calendários de parede a cada manhã de trabalho para recordar quando a equipe voltará a entrar em campo. Esses estão em Rosario, e torcem por um revitalizado Newell’s Old Boys que aspirou alma e fôlego novos quando da chegada do técnico Gerardo ‘Tata’ Martino, ou mesmo para um Rosario Central que escala a tabela da divisão de acesso sem nunca deixar de perseguir os que hoje teriam direito a uma passagem certa para a primeira divisão. Ainda se anunciam orgulhosos os aficionados do Vélez Sarsfield que, como já é rotina nos últimos outonos, veem um time capaz de levantar a Copa Libertadores da América, assim como os do Tigre, equipe capaz de reverter um complicado caso de indício de descenso, e os do Independiente, que há anos se contentam de fato com muito pouco.
Mas se podem ser computados os sorrisos, as esperanças e as possibilidades de que saia uma grande esquadra deste futebol argentino, são mais numerosas as amostras de torcedores espantados pelas desgraças que se repetem a cada domingo, por um desespero que se derruba pela tabela como a pontuação dessas equipes ou por uma inércia que terá como consequência anos de permanência na divisão de acesso. Um Cuervo que não ganha altura:começar pela situação do San Lorenzo significa encontrar um punhado de anedotas que só causam graça nos que nem de longe se compadecem com a realidade dos do Nuevo Gasómetro. É conhecida a dificuldade recente do Ciclón, que mobiliza a numerosa torcida para voltar a Boedo, sede histórica do clube, animar um elenco que pouco fez pela camiseta da equipe e salvar a instituição de um novo rebaixamento. Como parece evidente, o clamor popular ainda não pôde garantir a resistência na divisão principal.
Há poucas semanas, em um sinal claro de que o tempo morria e que algo drástico deveria ocorrer, a diretoria anunciou a contratação de Caruso Lombardi, especialista em clubes que flertam criticamente com um rebaixamento. Em outras palavras, um homem que sabe conviver com agudas crises de vestiário e topa as travessias menos iluminadas. Imediatamente, os resultados chegaram: na estreia, um empate de visitante diante do Racing e, em seguida, um 3-0 sobre o Godoy Cruz, talvez o placar mais folgado dos últimos trinta e nove encontros. Veio, então, o confronto contra o Banfield no Sul de Buenos Aires e outra semana de enormes conflitos internos. Dias antes da partida, em uma reunião da diretoria que ocorria à luz de velas, pois naquela noite havia ocorrido uma pane na energia elétrica da região, um par de barras invadiu o recinto para cobrar a renúncia de meia dúzia de diretores. Ameaças à meia-luz: eis a poesia contemporânea dos comandados por Caruso.
Em Lomas de Zamora, a equipe que buscava permanecer alheia à turbulência político-social dos bastidores lograva aguentar a pressão do Banfield. Havia marcado com o centroavante uruguaio Carlos Bueno e resistia até que, nos últimos suspiros e escanteios dos acréscimos, levou o gol de empate que compromete outra vez a média de pontos na tabela do descenso – as contas de hoje levariam o Ciclón à disputa da Promoción. Ainda no Florencio Sola, outro episódio quase dizima a fé que persiste quase intocável nos santos torcedores. Depois da substituição de Juan Manuel Salgueiro, a faixa de capitão do San Lorenzo passou por cinco jogadores que a rejeitaram por completo. Um deles, o jovem Daniel Martínez, chegou a jogá-la para fora do gramado – quando foi avisado de que, sim, alguém precisaria levar o cinturão atado ao braço. Possivelmente a contragosto, a faixa – que por esses dias deve estar ainda mais pesada – terminou com o atacante Emmanuel Gigliotti.
Ao descampado de Globos caídos: do San Lorenzo ao seu rival, da primeira divisão aos causos da Nacional B. Como o Ciclón, o Huracán tem apenas acumulado desacertos nos últimos meses – e de uma forma talvez até mais desesperadora. Após a sofrida queda para o Ascenso, os quemeros de Parque Patrícios parecem estar em uma eterna jornada de desencontros, como se cada final de semana fosse a repetição da mesma derrota. Da ilusão de retornar rapidamente ao convívio entre os grandes, o Huracán passou à ameaça real de emendar um rebaixamento no outro. Em 2012, o clube venceu apenas uma partida, ao tempo em que empatou oito vezes e perdeu em três ocasiões. A consequência lógica é a proximidade com a zona de descenso, da qual se tornou o mais imediato vizinho – após a goleada de 1-5 que sofreu do Aldosivi, o Huracán aparece à frente apenas dos quatro últimos na tabela do rebaixamento.
A crise futebolística em uma instituição que padece da mesma forma em termos econômicos afasta treinadores e apoiadores, de modo que poucos são os que resistem por mais de um mês na casamata do Palacio Ducó. Héctor Rivoira chegou agora, se disse torcedor do clube e definiu, em entrevista para o Olé, o estado em que se encontra o Globo com melancólica exatidão: “yo soy hincha del Globo, mi viejo y mi hijo también, hay muchas cosas que me identifican. Además, siento que vuelvo para dar una mano. Y ojo porque no agarro un fierro caliente, eh. Agarro un meteorito”. Os dramas de sempre: a crise do Racing pouco se parece com as que vivem San Lorenzo e Huracán. Primeiro porque se trata de uma crise eterna, da qual la Academia só escapa para fugazes respiros. Há mais de uma década a equipe não comemora o campeonato nacional, e não é preciso lembrar (ou talvez seja) as circunstâncias da última estrela, a de 2011.
Para a temporada atual, esperava-se que nenhuma grande decepção cobrisse Avellaneda. Havia um plantel qualificado, um técnico experiente e certa sobra nos promedios. Como havia também um colombiano aficionado por tarjetas rojas, um segundo colombiano que não jogou o que sabe e uma defesa que desaprendeu a evitar gols. Aquele Racing de Diego Simeone, que mantinha a meta invicta e que não chegava ao ataque, deu lugar ao Racing de Alfio Basile, que sofreu gols como qualquer outro e marcou menos do que quase todos os demais. Teófilo Gutierrez, o que colecionava polêmicas e expulsões, se desligou do clube. No fiasco derradeiro, ameaçou o arqueiro Saja com um revólver de paintball após o 1-4 sofrido no clássico de Avellaneda. Transferiu-se para o Lanús e disputará a Libertadores. Basile apresentou a renúncia após a mesma derrota, e quem assumiu foi Luis Zubeldía, o novo responsável por fazer a equipe de Giovanni Moreno – o outro colombiano talentoso – mostrar algo mais nas últimas oito rodadas.

Postado originalmente no site Impedimento ( http://impedimento.org/2012/04/24/o-coracao-na-curva-do-rio-da-prata/ ) pelo Iuri Müller.